‘Vamos trazer as obrigações do setor à realidade do País’, diz presidente da Abramge

O mercado de perdeu cerca de 300 mil beneficiários desde o início da pandemia, principalmente por causa dos impactos econômicos da pandemia, como desemprego e queda na renda, segundo a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge). Mas o presidente da Abramge, Reinaldo Scheibe, lembra que o setor também conseguiu o destravamento do telessaúde, que deve fazer parte do novo normal pós-pandemia, e vive um momento de busca por mais equilíbrio.

Quais foram os maiores impactos da pandemia sobre o segmento de planos de saúde? Foram positivos ou negativos?

Os impactos ainda são incertos. Negativamente o mais notório é a saída de cerca de 300 mil beneficiários dos desde o início da pandemia, justo quando o Brasil iniciava uma retomada tímida da economia. De positivo, se é que podemos dizer, vimos o destravamento da telessaúde pela Lei 13.989, permitindo maior alcance e profissionalização do sistema de atendimento remoto de pacientes no País. Destaco também o trabalho do sistema privado de saúde, que não colapsou no atendimento de 47 milhões de pessoas, mantendo os serviços urgentes, emergentes e todos os demais.

Como foi a procura por planos nos últimos meses?

O cenário econômico do País é o principal item na variação do número de beneficiários, visto que o sistema de saúde é diretamente impactado pelo emprego e renda da população, mesmo o acesso a um sendo o terceiro maior desejo da população.

Usuários se queixam de dificuldades para fazer exames de diagnóstico da Covid-19 e exames como tomografias de pulmão, além de terem pedidos de internação negados. Existem protocolos dos planos que devem ser seguidos pelos médicos em relação à pandemia?

A orienta suas associadas a atuarem em consonância com as melhores práticas de políticas públicas. Os exames de detecção do coronavírus são cobertos pelos desde que observados os critérios definidos pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), e cumpridas as diretrizes de utilização.

A confirma que, mesmo com o aumento da procura por pacientes por conta do coronavírus, os planos conseguiram equilibrar suas finanças e até aumentar seus lucros com a queda nos procedimentos eletivos durante a pandemia?

O sistema de é composto por mais de 700 operadoras de planos médico-hospitalares, com regionalidades e situações econômico-financeiras bem distintas, assim como os portes empresariais (pequena, média ou grande). Os esforços das operadoras de planos de saúde estão redobrados para garantir a manutenção do atendimento dos beneficiários em um cenário de redução de receitas e retomada exponencial dos procedimentos.

Como os planos receberam a notícia da suspensão de reajustes pela por 120 dias? De que forma isso afetará o segmento a curto e médio prazos?

É fundamental destacar que grande parte das operadoras associadas à já haviam suspendido o reajuste dos planos individuais, PME (com menos de 30 vidas) e por adesão entre maio e julho. Os recursos financeiros precisam fluir para sustentar essa extensa rede de prestação de serviços em saúde. Não existe uma solução simples. O período atual é único. Estamos enfrentando um desafio assistencial, onde não podemos desmobilizar a rede de atendimento, e também econômico, visto o aumento do desemprego e perda de renda. Para atravessar este momento, as operadoras de planos de saúde se mobilizam na integração com a sua rede própria de serviços. A pandemia passará, mas é importante que o setor privado de saúde sobreviva e continue colaborando para diminuir a pressão no Sistema Único de Saúde (SUS).

Na sua opinião, a pandemia trará alguma mudança na forma de atuação dos planos de saúde no mercado? Ela está levando a repensar processos?

A vem passando por transformações, aprimoramentos e modernizações desde sempre. O sistema de saúde suplementar está sempre inovando e atento ao cenário mundial, tanto que já em janeiro, de olho na ainda incipiente Covid-19, investiu em novas estruturas e equipamentos de saúde. A telessaúde deve fazer parte deste “novo normal” no pós-pandemia. Afora toda a inovação do setor, para ir além dos serviços já oferecidos, é necessário que a Lei dos Planos de Saúde (9.656/1998) seja revisitada para possibilitar novos produtos que atendam anseios de quem deseja contratar um plano de saúde.

Como e por quanto tempo a pandemia deve continuar impactando este mercado e como será o ‘novo normal’?

Durante as crises o primeiro índice a cair é o do número de empregos; e ocorre exatamente o oposto no momento da recuperação. Vamos acelerar para trazer as obrigações do setor à realidade do País, de maneira equilibrada, com a adoção de modelos de valorização de desfecho clínico e eficiência. Esses são exemplos de desafios importantes dos planos de saúde que deverão potencializar a dinâmica da saúde suplementar.

Fonte: O Popular (GO) – 26/08/2020
Por Lucia Monteiro

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