Seminário aponta ações contra fraudes na saúde

Fonte: Folha de S. Paulo – 30/03/2017
 
A transparência pode tornar o sistema de saúde mais eficiente, desde que envolva todas as partes da cadeia: formação do profissional, relação médico-paciente, indústria e fornecedores, hospitais, seguradoras e o governo.
 
Essa foi a conclusão dos participantes do primeiro dia do 4º Fórum A Saúde do Brasil, realizado nos últimos dias 27 e 28 no auditório do MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo. A transparência e a prevenção foram os temas dos debates.
 
O evento foi promovido pela Folha e patrocinado pela FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar), pela Amil e pela Abimed (Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde).
 
“Os macro problemas da saúde são subfinanciamento, qualidade de gestão, desvios e desperdícios e judicialização.
 
A questão da transparência permeia todos eles”, disse David Uip, secretário de Saúde do Estado de São Paulo, na abertura do fórum.
 
Para Sergio Ricardo Santos, CEO da Amil Saúde, é também uma questão de sobrevivência do setor. “O encolhimento da saúde suplementar afeta a do sistema, mas também obriga [os gestores] a ter mais transparência, para rever decisões e estratégias.” Com a perda de 2 milhões de usuários, o setor privado precisa desenvolver uma visão estratégica para diminuir o impacto de e desperdícios, segundo Santos.
 
O dever de casa mais urgente é cortar os custos, afirma Solange Mendes, presidente da FenaSaúde.
 
Para isso, defende ela, é fundamental transparência nos registros de materiais utilizados e procedimentos realizados.
 
“A maior responsabilidade é a do médico. Ele é o profissional que dá início a todo esse processo.” A formação médica foi um aspecto levantado em diferentes mesas do fórum. “Como fazer uma boa formação com tantas faculdades? Acredito que viveremos um problema muito complicado para educar médicos com valores éticos”, afirma Uip.
 
A proliferação de escolas dificulta a ação reguladora de entidades como os conselhos de medicina. “Há hoje em torno de 46 escolas abertas com critérios escusos. E o sindicato das escolas privadas ganhou uma ação tirando a obrigatoriedade do exame do Cremesp para os egressos da faculdade”, diz Mauro Aranha, do Conselho Regional de Medicina da São Paulo.
cadeia da propina Combater a corrupção na saúde continua sendo uma grande preocupação. Uma solução apontada por Pedro Ramos, diretor da Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde), é fechar acordos diretamente com a indústria, que barram empresas que praticam irregulares e dão margem a casos de corrupção, como a máfia das próteses. “O que encarece o produto é a cadeia da propina. Maus médicos formam uma máfia e nos roubam”, disse.
 
Além dos problemas de formação, o modelo de remuneração vigente, que paga o médico pelo número de procedimentos realizados, foi questionado no fórum.
Para José Augusto Ferreira, diretor da Unimed BH, essa forma de pagamento é obsoleta.
 
O braço mineiro da Unimed começou a implementar o modelo de remuneração por qualidade de serviço prestado. No sistema, os médicos têm um salário fixo e um variável, que muda de acordo com o desempenho do profissional, medido por indicadores como a satisfação dos pacientes.
 
“Mudar o modelo de remuneração é apenas uma etapa para mudar o modelo de assistência como um todo”, afirma Ferreira.

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