Perto de 3 milhões de pessoas devem ficar sem convênio

Fonte: Valor Econômico – 23/05/2016
Por Beth Koike
Num cenário de desemprego crescente, cerca de 3 milhões de pessoas devem perder o convênio médico até o fim deste ano, considerando o período de 2015 e 2016, segundo estimativas da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge).

Deste total, 1,6 milhão de pessoas ficaram sem o entre janeiro de 2015 e março deste ano, principalmente por causa da redução do formal. “Essa estimativa de 3 milhões é porque há um ‘delay’ (atraso) entre a demissão do funcionário e o cancelamento do contrato do plano de saúde. Os convênios médicos podem ser mantidos de seis meses a dois anos após a demissão, nos casos em que o funcionário pagava uma parcela do benefício”, disse Pedro Ramos, diretor da Abramge. Os planos médicos empresariais representam cerca de 65% do mercado.

Uma comparação cruzando os dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostra que esse descompasso já aconteceu no primeiro trimestre. Entre janeiro e março deste ano, 323 mil pessoas perderam o emprego, mas a queda de usuários de convênios médicos foi de 617 mil, ou seja, praticamente o dobro. Em 2015, o movimento ainda era contrário: 1,5 milhão de postos formais de trabalho foram cortados contra 953,2 mil contratos de cancelados.

Outro fator que explica uma queda mais acentuada no números de pessoas perdendo o plano de saúde é que muitos desses usuários tinham convênios médicos corporativos com dependentes. O volume de cancelamentos, estimado em 617 mil entre janeiro e março de 2016, pode ser ainda maior, uma vez que a atualiza os dados trimestralmente. Isso aconteceu com o levantamento do ano passado, que mostrava uma redução de 766 mil usuários, mas foi atualizado neste mês para 953,2 mil.

O desempenho do ano passado foi o pior registrado pelo de desde 2000, quando a começou a levantar os dados. Em 2015, os custos médicos das operadoras e seguradoras de saúde aumentaram 10,85% e o faturamento cresceu 11,2% para R$ 142,3 bilhões. A receita subiu em decorrência dos reajustes de preço dos convênios médicos, que ficaram em torno de 16,5% na modalidade empresarial e 13,5% nos planos individuais.

Neste ano, as operadoras e seguradoras de saúde estão pleiteando um aumento médio de 18% a 20% nos convênios médicos empresariais, segundo levantamento da AON, consultoria especializada em saúde. Nos planos corporativos, vale a livre negociação. O percentual de para cada empresa pode ser maior ou menor dependendo da sinistralidade do ano anterior. Quando a taxa de sinistralidade fica acima de 75% – ou seja, quando os usuários gastam mais do que esse percentual da receita – o reajuste pode ultrapassar a média pedida pelas operadoras. A regra vale na mesma proporção quando o gasto é inferior aos 75% – esse número é considerado o ponto de equilíbrio.

Num cenário de retração econômica, as negociações dos patamares de reajustes devem gerar longos embates entre operadoras de saúde e empresas. As companhias estão cortando custos e tendem a resistir aos aumentos. Além disso, os gastos das empresas com o segmento já estão subindo, já que funcionários demitidos têm entrado na Justiça para manter o benefício. “Neste ano, tivemos um aumento de cerca de 20% nos pedidos de ajuizamento de ações, principalmente, nas grades cidades como São Paulo em que praticamente não há oferta de planos individuais”, diz Rodrigo Araújo, advogado especializado em e sócio do escritório Araújo, Conforti e Jonhsson.

Um dos caminhos adotados pelas companhias para não absorver um tão elevado nos convênios médicos é a co-participação. Pelo sistema, o funcionário paga uma parte do valor de procedimentos mais simples, como consultas e exames. Essa é uma ferramenta adotada para inibir o uso demasiado do plano de saúde. Nos casos em que já se adota a co-participação, o caminho tem sido o aumento dessa fatia de contribuição.

Outra opção que deve ganhar força entre as empresas é a troca de planos, para operadoras que ofereçam contratos mais em conta. Não à toa, no ano passado, entre as poucas operadoras que cresceram estão a NotreDame Intermédica e Hapvida, que atendem um público intermediário.

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