Neste ano, 788 mil pessoas perderam convênio

Fonte: Valor Econômico – 15/06/2016
Por Beth Koike
Cerca de 788 mil pessoas perderam o nos primeiros cinco meses deste ano, segundo dados da Agência Nacional de Suplementar (ANS), que calcula 48,6 milhões de usuários em maio. No ano passado, pouco mais de 1 milhão de pessoas ficaram sem convênio médico, principalmente devido ao aumento na taxa de desemprego.

Em maio, a maior queda foi nos convênios individuais, segmento que vinha caindo menos em relação aos planos empresariais. “Com o reajuste autorizado pela ANS, o maior já aprovado até hoje, muito acima do reajuste da remuneração dos consumidores, a tendência é que mais usuários não consigam manter o plano de saúde”, disse Rodrigo Araújo, advogado especializado em do escritório ACJ Advogados. A determinou um reajuste de até 13,75% nos em 2016.

Segundo a Abramge, associação das operadoras de planos de saúde, cerca 3 milhões de pessoas podem perder o convênio médico no período de 2015 e 2016. Esse volume é elevado porque muitas empresas mantêm o benefício entre seis meses a dois anos após a demissão do funcionário. E como a onda de demissões intensificou-se em 2015 é esperada uma redução significativa no setor neste ano.

Em relação aos planos empresariais – que representam 66% do setor e o reajuste de preço não é regulado pela ANS -, as operadoras e seguradoras de estão pleiteando um aumento médio de 18% a 20%, segundo dados da AON, consultoria especializada em saúde. Vale destacar que o percentual de reajuste varia conforme a taxa de sinistralidade do ano anterior. Quando esse indicador é superior a 75% – ou seja, quando os usuários gastam mais do que esse percentual da receita – o reajuste pode ultrapassar a média pedida pelas operadoras. A regra vale na mesma proporção quando o gasto é inferior aos 75% – esse número é considerado o ponto de equilíbrio. Em maio deste ano, a sinistralidade média do setor foi de 81,9%.

O número de usuários dos cinco maiores planos de saúde – Bradesco, Amil, Hapvida, SulAmérica e Notre Dame Intermédica – cresceu menos de 1% entre maio e abril. Essas cinco operadoras representam 27% do setor em número de usuários e 35% em receita. No primeiro trimestre, a receita do setor somou R$ 37,2 bilhões.

Em maio, o destaque foi a São Francisco Saúde, fundada do interior de São Paulo, que cresceu 16,2% no volume de usuários entre maio e abril deste ano. A operadora tem 455,6 mil clientes e atua com o público intermediário. Uma das teses da São Francisco é que em cenários de crise econômica as empresas migram para um convênio médico mais barato.

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