Einstein diz exigir ‘ética irrepreensível’

Fonte: Folha de S.Paulo – 15/09/2016
Comunicado do é divulgado após dois médicos terem sido afastados por suposto elo com fornecedores
Investigação interna encontrou indícios de favorecimento a firma de próteses; médicos negam irregularidades
Dois dias após ter protocolado na polícia uma denúncia contra dois médicos suspeitos de ligação com uma empresa fornecedora de próteses, o Albert Einstein afirmou em nota que a instituição sempre exigiu de seus profissionais uma “conduta ética irrepreensível” e que sempre prezou pela transparência em todas as suas relações.

Como a Folha revelou na terça-feira (13), o Einstein decidiu denunciar à polícia dois de seus médicos sob suspeita de ligação “espúria” com um fornecedor do hospital. Eles são suspeitos de receber pagamentos e de favorecer uma empresa fornecedora de próteses cardíacas.

Os cardiologistas denunciados, Marco Antonio Perine Fábio Sandoli de Brito Júnior, estão entre os principais nomes do país nessa área e comandavam juntos o Centro de Intervenção Cardiovascular do Einstein até junho passado.

Após uma ampla investigação interna, Perin foi demitido, e Brito Júnior, afastado do comando do centro, que reúne tratamentos por meio de cateterismo para doenças cardíacas e circulatórias.

Entre as intervenções no centro estão a angioplastia e o implante de stent — que, pela tabela do SUS, custam a partir de R$ 5.000. As primeiras denúncias, anônimas, chegaram ao em maio passado e já tratavam do suposto envolvimento dos médicos no esquema.

Outro lado
Ambos os médicos negam qualquer tipo de irregularidade ou recebimento de propina pela empresa fornecedora, a CIC Cardiovascular.

“Além das práticas médicas corretas, a instituição exige e sempre exigirá conduta ética irrepreensível de todos que estejam envolvidos na prestação de serviços para a sociedade”,disse, em nota, o da zona oeste de SP.

O Einstein afirmou ainda que sempre prezou pela ética e pela transparência em todas as suas relações e que a sua direção segue “rigorosos padrões de compliance [conjunto de boas práticas] para assegurar que os princípios que constituem os alicerces da instituição sejam sempre respeitados”.

A Polícia Civil de São Paulo vai convocar ex-pacientes do que tenham sido submetidos a cirurgias cardíacas sob o comando dos médicos suspeitos de ligação com a empresa fornecedora.

Os investigadores querem saber se alguma dessas pessoas recebeu implante de cardíaca sem necessidade. Um grupo de médicos do IML (Instituto Médico Legal) do Estado poderá ajudar a polícia nessa apuração.

A empresa supostamente envolvida no esquema teve um aumento de 541% nas vendas de stents para o entre 2012 e 2013 e, desde então, teve “clara preferência” dos médicos — segundo representação do Einstein à polícia.

As suspeitas contra os cardiologistas foram levantadas por investigação interna do próprio Albert Einstein após receber denúncias de “envolvimento espúrio” entre profissionais do hospital com fornecedores.

Análise de e-mails corporativos dos médicos encontrou informações sobre repasses de dinheiro na conta pessoal deles de até R$ 200 mil, além de viagens e presentes.

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