CPI sobre máfia das próteses é concluída com sete indiciados no RS.

Fonte: RBSTV – Portal G1 – 03/02/2016
Documento solicita o indiciamento de médicos, empresários e advogada. Se condenados, suspeitos podem pegar até 15 anos de prisão por crimes.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou a máfia das próteses aprovou o relatório final na tarde desta quarta-feira (3) na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre. Foram seis meses de investigação. O documento, aprovado por unanimidade, contém 470 páginas e pede o indiciamento de quatro médicos, dois donos de empresas fornecedoras de próteses e uma advogada.

Eles são indiciados por estelionato, falsidade ideológica, adulteração de produtos, lesão corporal grave e associação criminosa. Se condenados, os suspeitos podem pegar até 15 anos de prisão.

Elaborado pelo deputado Enio Bacci (PDT), o texto solicita o indiciamento dos médicos Ernani Vianna de Abreu, suspeito de ter provocado a morte de uma paciente, Evandro Bastianello Porto, Antônio Carlos Marques Castilhos e Fernando Gritsch Sanchis.

O relator pediu ainda o indiciamento dos empresários Larson Hermílio Strehl, proprietário da Prohosp Comércio e Representação de Produtos Hospitalares, e Luiz Souza Fidelix, proprietário da Distribuidora Intelimed Comércio e Representações.

Já a advogada Nieli de Campos Severo deve ser indiciada por estelionato, falsidade ideológica e associação criminosa. Conforme apurado pela CPI, ela manipulava o teor de documentos para induzir o poder judiciário ao erro.

No escândalo, revelado pelo Fantástico, o repórter Giovanni Grizoti mostrou que médicos transformaram hospitais em um balcão de negócios, fazendo cirurgias desnecessárias somente para receber comissões dos fabricantes de próteses. Com documentos falsos, médicos e advogados também encaminhavam à Justiça ações para forçar o governo e os planos de a bancar procedimentos superfaturados.

A da Assembleia gaúcha, presidida pelo deputado Missionário Volnei (PR), foi instalada para investigar crimes e irregularidades em procedimentos médicos relacionados a este tipo de cirurgias, como ocorreu, em nível federal, com a CPI do Senado.

O relatório final ainda apresenta sete recomendações, entre elas a alteração do Código Penal para instituir o crime de corrupção no setor privado, a adoção de normas mais rigorosas para que as empresas obtenham certificados da Agência Nacional de Vigilância Sanintária (Anvisa) e a proibição de por órteses ou próteses por partes dos hospitais.

Indiciados apresentam defesas
O médico Ernani Vianna de Abreu afirma que, em seus procedimentos não houve adulteração de implantes, e que os materiais são submetidos a rigorosos exames de controle por parte dos hospitais. A defesa do médico Antônio Castilhos informou que ele foi ouvido como testemunha na CPI e que o médico não tomou conhecimento dos argumentos da CPI para sugerir o indiciamento.

A defesa do médico Evandro Bastianello Porto diz que vai esperar ser notificada para se posicionar. Já Fernando Gritsch Sanchis não foi localizado. A secretária dele informou que o médico está viajando.

O advogado de Larson Hermílio Strehl, proprietário da Prohosp Comércio e Representação de Produtos Hospitalares, avalia a sugestão de indiciamento como absolutamente equivocada, pois diz que todos os documentos comprovando a lisura do fornecimento dos implantes foram entregues à CPI.

A defesa da Intelimed, diz que o relatório da CPI parte de premissas equivocadas, pois a empresa não é fabricante e faz somente a distribuição de próteses. E que nenhum representante da empresa responde a qualquer tipo de procedimento judicial pela suposta máfia das próteses. Luiz Fidélix, dono da Intelimed, afirma que os distribuidores não podem mexer em próteses.

Assista a reportagem no link: http://g1.globo.com/…/cpi-que-invetigou-a-mafia-da…/4784235/

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *