Telemedicina: um grande passo na saúde brasileira

Há quase três meses, o Brasil assiste aos impactos devastadores causados na saúde pela pandemia do coronavírus. O método de combate da doença mais eficaz é manter uma boa higiene e se isolar socialmente. No entanto, outras doenças já existiam antes da covid-19 e necessitam de continuidade no tratamento.

Por isso, em meio à crise, vimos também a tecnologia se tornando uma grande aliada para que a população não abandone o tratamento tão essencial, principalmente ao momento em que estamos vivendo. A telemedicina, que a há anos está em pauta para que se torne uma realidade no país, finalmente foi liberada pelo Conselho Federal de Medicina em caráter de excepcionalidade.

Já percebemos que conectar médicos e pacientes por meio de consultas por vídeo não foi nenhuma dificuldade no Brasil. Pelo contrário, a novidade agradou os brasileiros que puderam ter um diagnóstico muito mais rápido, na comodidade de sua casa e sem os riscos de disseminação do coronavírus.

É preciso que as empresas da área da saúde invistam em tecnologia para que seja possível o acesso ao tratamento de milhares de pacientes que, sem esse recurso, poderiam ter sua saúde mental agravada, precisando buscar atendimentos de urgência e potencialmente se expondo.

As teleconsultas vem crescendo nos últimos meses em todo país, sendo um recurso fundamental para o enfrentamento da escalada de transtornos mentais que nossa sociedade já vinha enfrentando nos últimos anos – e que tende a se agravar em função da pandemia. Queixas como ansiedade, depressão e pânico têm aumentado exponencialmente nas consultas on-line.

Não podemos negar que milhares de pessoas poderiam estar desassistidas se essa implementação não entrasse em vigor. Entretanto, a discussão precisa ir muito além da pandemia. A telemedicina deve ser revista para que seja usada também após a crise. Esta é uma mudança que precisa acontecer já nos próximos anos, com normas e regulamentações que garantem a qualidade das consultas.

Os ganhos com essa modalidade, tanto para os médicos e, principalmente, para os pacientes são indiscutíveis. Estamos entrando em uma nova era e precisamos acompanhar as mudanças de hábito que a população também sofrerá. Este é um salto importante para melhorar, e muito, a qualidade de vida de todos os brasileiros.

*Paulo Vaz, CEO da eCare

Fonte: O Estado de S. Paulo – 18/06/2020

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