Doctor is going to examine his patient using his stethoscope over sitting people in modern hospital background

Rede privada de saúde abriu 13 mil novos postos de trabalho em junho

Em meio à crise, o número de novas vagas no semestre foi de 43 mil. O número é menor do que a estimativa feita pelo CNSaúde

No auge da pandemia até então, o setor de saúde abriu 13 mil novos postos de trabalho no mês de junho. Nesse período, foram admitidos 56 mil profissionais e outros 43 mil foram demitidos. Já no acumulado do semestre, o total de postos criados foi de 43 mil, sendo que 354 mil profissionais de saúde foram admitidos e 311 mil, perderam os empregos. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foram compilados pela Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde) e dizem respeito apenas à rede privada.

De acordo com Bruno Sobral, secretário-executivo da CNSaúde, apesar do saldo positivo, esperava-se um número muito maior de novos empregos. “Nós estávamos prevendo um número maior, 225 mil novos empregos no setor de saúde. Com a pandemia, a crise foi grande, as receitas dos hospitais e laboratórios cresceram e os custos hospitalares também. Esse é um setor muito dinâmico e não pode parar. O crescimento de vagas se deu principalmente nas unidades hospitalares e foi principalmente voltado ao combate à pandemia. Ela trouxe demanda maior por alguns profissionais e menor para outros”, explicou. A projeção anterior, segundo ele, foi feita com base no crescimento econômico que era esperado para o país em 2020. “A gente fez a projeção de 225 mil pensando no crescimento econômico. A gente esperava um PIB crescendo no país esse ano. Mas ele vai decrescer. O setor mostrou uma resiliência, mas a gente não vai alcançar tanto potencial. A gente espera uma volta no ano que vem, quando certamente o setor estará mais aquecido”, pontua. 

Para Sobral, o saldo de novos empregos é positivo, mas está sendo visto com cautela. O crescimento se deu, em sua maioria, entre os profissionais técnicos de enfermagem, enfermeiros e fisioterapeutas. “O grande crescimento foi nessas três profissões porque o cuidado de covid-19 exige fisioterapia e há, em muitos casos, um aumento de demanda. O setor privado está abrindo vagas para o tratamento hospitalar, mas a crise continua”, explicou.  

O secretário-executivo da CNSaúde revelou que o setor com mais baixas em empregos foi o de medicina diagnóstica, que teve redução de até 70% do movimento. As medidas do governo para manutenção de empregos, na sua avaliação, ajudaram diminuir o ritmo das demissões.  

Bruno defendeu, ainda, que o treinamento de profissionais de saúde deveria seguir o modelo do que ocorre no setor de comércio, com o Sistema S. “Os profissionais que trabalham com EPIs são de formação muito especializada e a gente não tem na CONSaúde o Sistema S. A gente não tem isso para treinar enfermeiro, profissional intensivo. Se a gente tivesse o Sistema S, seria melhor. A gente precisa preparar um parque de treinamento muito maior, tanto no sistema público quanto no privado. Você tem dinheiro do Sistema S para treinar garçom, barbeiro. Não tenho nada contra, mas eu gostaria de ver esse dinheiro investido em treinar profissionais de saúde”, defendeu.

Fonte: Correio Braziliense – 30/07/2020
Por Israel Medeiros*

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