Quantidade de segurados de planos de saúde diminuiu no Brasil em 2015.

Inadimplência nos cresceu 46,5% em 2015, em relação a 2014. Número é muito acima do que se viu nos anos anteriores.

Por Natália Ariede
Já pelo lado dos cidadãos, as dívidas acumuladas acabaram de provocar um fato que não se via há dez anos: a quantidade de segurados de diminuiu.

“Devo, não nego, pago quando puder” – tem sido assim a relação da Ivy com o plano de saúde.

“A gente paga um mês, depois fica dois sem pagar, volta a pagar novamente”, contou Ivy Farias, professora.

Na hora do aperto, de decidir que conta pagar primeiro, tem muito brasileiro deixando a do convênio médico lá para o fim. A inadimplência nos cresceu 46,5% em 2015, em relação a 2014 – muito acima do que se viu nos anos anteriores.

Pela primeira vez em 12 anos de convênio, seu Mário atrasou dois meses de pagamento.

Jornal Nacional: O que foi que apertou lá?
Mário Ferreira, aposentado: Foi a escola e as despesas lá em casa, é complicada, entende?

Ele pagou a dívida no limite do para não ficar sem plano de saúde. Pela lei, o plano individual só pode ser suspenso por inadimplência se o atraso no pagamento chegar a 60 dias – consecutivos ou somados, ao longo de um ano. E 10 dias antes, tem que notificar o devedor.
Mas nem sempre é assim.

“Atrasei um dia e minha filha estava passando numa terapia, e avisaram que não podia atender porque estava fora do convênio”, afirmou Natalie Torres, professora.

O Cássio conta que o atraso no plano de dos pais não chegou a um mês. Mesmo assim, o convênio rompeu o contrato. E a família só descobriu num momento de urgência.

“Meu pai, ele teve uma hemorragia muito séria, era um no colo e lá no que a gente ficou sabendo que o plano tinha sido cancelado”, contou Cássio Salama, administrador.

O advogado especialista em Direito do Arthur Rollo faz um alerta.

“Com certeza a inadimplência vem sendo usada por maus planos de saúde, pra excluir consumidores doentes, pra excluir consumidores idosos e pra excluir aqueles consumidores que não são bem quistos porque dão muita despesa pro plano de saúde”, afirmou Arthur Rollo.

Desde o começo do ano, 500 mil brasileiros deixaram de ter um convênio médico ou porque desistiram de pagar ou porque foram desligados por atraso no pagamento.

O diretor da associação que representa os diz que a orientação é sempre negociar com os clientes.

“Nós deixamos, por anos, atravessadores entrarem nas nossas relações com nosso cliente. Nós queremos olho no olho, esgotar todas as instâncias de negociação e mediação com seu plano de saúde”, disse Pedro Ramos, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Grupo.

Fonte: Jornal Nacional – 26/10/2015

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/10/quantidade-de-segurados-de-planos-de-saude-diminuiu-no-brasil-em-2015.html

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