Planos de saúde terão que informar inadimplência e número de leitos ocupados com Covid-19 à ANS

Agência afirma que dados permitirão uma análise real da situação do setor.

As operadoras de planos de saúde terão que informar à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), até o fim desta semana, dados de inadimplência, número de leitos destinados ao tratamento de Covid-19 e sua taxa de ocupação,  custo do tratamento dos pacientes contaminados pelo vírus, assim como o impacto do custo de equipamentos de proteção individual (EPIs).

– Esse conjunto de informações, somado a outros dados que a ANS já dispõe, como o monitoramento das demandas registradas por consumidores junto aos canais de atendimento da reguladora, permitirá uma análise mais aprofundada da situação, sendo de grande relevância para subsidiar a adoção de medidas em prol da sustentabilidade do setor durante e no pós-crise – explica Rogério Scarabel, diretor-presidente substituto da ANS.

As informações econômico-financeiras das operadoras costumam ser enviadas à agência ao fim de cada trimestre, mas por conta da necessidade de avaliação do cenário, a ANS solicitou a antecipação do envio de alguns dados e pediu informações sobre ocupação de leitos e atendimentos que não são usualmente informados pelas empresa do setor.

Apesar de reclamarem da pressão de custo da pandemia,  apenas 9 das 731 operadoras de planos médicos do país assinaram o Termo de Compromisso proposto pela ANS para garantir acesso a reservas técnicas do setor que somam R$ 15 bilhões.

Segundo as empresas, a determinação de atendimento a inadimplentes durante a pandemia incluída no acordo, inviabilizoua assinatura, pois colocaria em risco a sustentabilidade do setor. As operadoras admitem, no entanto, que podem ter que recorrer ao mercado para buscar crédito para enfrentar essa crise.

Confira as informações solicitadas às operadoras:

– Fluxo de caixa das operadoras relativos aos primeiros meses de 2019 e de 2020. Com a análise das receitas e despesas, é possível verificar, por exemplo, se houve aumento de gastos e se os pagamentos das mensalidades foram feitos pontualmente;

– Número total de leitos e número de leitos destinados especificamente ao tratamento da Covid-19, por hospital ou município, de fevereiro a abril de 2020;

– Taxa de ocupação de leitos destinados especificamente para o tratamento da Covid-19, por hospital ou por município (diária ou semanal), defevereiro a abril de 2020;

– Taxa mensal de ocupação de leitos (geral), por hospital ou por município de fevereiro e março de 2019 e de fevereiro a abril de 2020;

– Média de atendimentos mensais em pronto socorro (que não evoluem para internação) de fevereiro e março de 2019 e de fevereiro a abril de 2020;

– Número de internação por SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), de fevereiro e março de 2019 e de fevereiro a abril de 2020;

– Impacto do custo dos EPIs no valor médio do tratamento dos pacientes de COVID-19 (valor absoluto e relativo), de fevereiro a abril de 2020;

– Custo Médio para tratamento do COVID-19 (números de dias em média e custo diário – para os dois cenários: internação comum e UTI).

Fonte: O Globo – 05/05/2020
Por Luciana Casemiro

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