Telemedicina não é mais futuro: tornou-se presente

Avaliação da prática tem sido positiva: os pacientes voltam a utilizá-la em mais de 65% das vezes num período de 45 dias após a primeira experiência

Neste momento de isolamento social, a prática da telemedicina já é uma realidade em nosso país e chegou para proteger a nossa população. No momento, ela já conta no Brasil com uma regulamentação de caráter excepcional e temporário: o Ministério da Saúde publicou recentemente a Portaria no. 467/2020, que dispõe sobre as ações de telemedicina, a fim de operacionalizar medidas de enfrentamento da emergência de saúde pública decorrente donovo coronavírus– sendo tal mecanismo também utilizado pelas operadoras de saúde.

Entretanto, apesar da portaria ter esse caráter extraordinário, para lidar com uma necessidade emergencial, acredito que a telemedicina chega ao Brasil para se estabelecer. Nos Estados Unidos, ela é regulamentada desde 1996, no Reino Unido, desde 1998, e no Japão tem um papel fundamental há muito tempo, para atender uma população que se distribui em um conjunto de ilhas – poupando, assim, os pacientes de eventuais deslocamentos mais difíceis.

Fica claro que para que a telemedicina se consolide no Brasil é absolutamente imprescindível dispor de critérios e protocolos que garantam qualidade, confidencialidade e, sobretudo, segurança. Sobre este último ponto, dentro dos pilares do IHI (Institute for Health Improvement), a experiência do paciente tem mostrado que a telemedicina é avaliada de forma positiva: os pacientes voltam a utilizá-la em mais de 65% das vezes num período de 45 dias após a primeira experiência.

Cautelosa, a sociedade quer usar, mas quer se cercar das melhores práticas, que podem ser garantidas com processos de regulamentação ágeis e eficientes. O que não se pode fazer é retardar uma prática consagrada internacionalmente, afastando o cidadão de um dos importantes pilares que inspiraram a nossa Constituição – o de dar acesso e equidade ao atendimento de saúde.

Fonte: Veja – 04/07/2020
Por Claudio Lottenberg

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