Saúde no banco dos réus

Fonte: Diário do Grande ABC – 04/09/2017
 
A crise econômica enfrentada pelos brasileiros teve proporções devastadoras na vida das famílias. São 13 milhões de desempregados e, deste contingente, ao menos 2 milhões se viram obrigados a abrir mão de privados e a migrar para a rede pública. Resultado: o SUS (Sistema Único de Saúde) acusou o sobrecarregamento e as cidades tiveram de assumir a conta.
 
Não bastasse a necessidade de pôr fim às filas para exames e tratamentos que tanta dor de cabeça causam aos moradores, as prefeituras têm de lidar com outro agravante. Sem condições de acesso a e procedimentos de alto custo, muitas pessoas encontraram na Justiça – ou melhor, nos tribunais – o remédio mais eficaz no combate a seus males. E os resultados têm se mostrado satisfatórios. Ao menos para os pacientes, como este Diário mostrou ontem.
 
Nos primeiros sete meses deste ano, foram contabilizadas 2.001 demandas judiciais, número 6,27% maior do que o computado em todo o ano passado – 1.883. Atualmente, 326 pessoas são beneficiadas em São Bernardo, 792 em Santo André, 300 em São Caetano, 233 em Mauá e 350 em Ribeirão.
 
Cinco dos sete municípios da região – exceção a Diadema e a Rio Grande da Serra, que não passaram informações – desembolsaram R$ 7,2 milhões com o fornecimento de terapias entre janeiro e julho.
 
O montante, fora do programado pelas administrações para o Orçamento anual, agrava a situação já complicada das administrações municipais diante de cenário de queda de arrecadação e controle total de custos.
 
Especialistas ouvidos pelo Diário recomendam análise cautelosa da Poder Judiciário em cada situação para não comprometer as contas públicas.
 
O direito universal à é garantido pela Constituição. Fato inquestionável. Mas é preciso jogo de cintura, por parte das prefeituras, para evitar que as demandas judiciais coloquem em risco o funcionamento da máquina e agravem a condição de Pasta que se encontra quase sempre na UTI. E agora também no banco dos réus.

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