Saiba como funcionam os convênios médicos em outros países

Fonte: Folha de S. Paulo – 25/11/2017
 
Por Jacqueline Lattari
 
Países com sistemas de similares ao brasileiro só permitem que empresas privadas ofereçam serviços suplementares, que não concorrem com a rede pública -ao contrário do que ocorre aqui.
 
No Reino Unido, na França, na Espanha, em Portugal e no Canadá, convênios só vendem aquilo de que o sistema público não dispõe. Uma empresa não pode vender cirurgia cardíaca se isso é oferecido pelo sistema.
 
Como no modelo de transplante de órgãos no Brasil, todos estão sujeitos à fila de espera, compara o professor Álvaro Escrivão Jr., coordenador-adjunto do Centro de Estudos em Planejamento e Gestão em da Fundação Getúlio Vargas.
 
“No Reino Unido é assim. Ninguém pode falar: eu tenho dinheiro, vou furar a fila, ser atendido primeiro, ser melhor atendido. Não, todos serão atendidos da mesma forma. A ideia de sistema universal é essa”, diz.
 
No Brasil, o sistema suplementar concorre com o SUS, uma das maiores redes do mundo. “Com todas as dificuldades que o Brasil enfrenta, o é um modelo admirável, mas precisa de aperfeiçoamento”, opina Pedro Ramos, diretor da Abramge, entidade dos planos de saúde.
 
Nos EUA, o sistema é privado e segmentar -com várias modalidades. Quem não pode pagar tem o plano subsidiado pelo governo. O Medicare é destinado a pessoas com 65 anos ou mais e a portadoras de deficiência.
 
Alemanha, Austrália, Chile e Colômbia têm um seguro do Estado, gerido por operadoras de planos de saúde, que cobre a totalidade ou quase toda a população. O financiamento é feito por impostos ou contribuições de empregadores e empregados.
 
Nesse modelo, a pessoa tem acesso a uma cobertura mínima, mas pode adquirir coberturas adicionais ou melhorias do padrão do plano.
 
Na Austrália, a cobertura é universal e não há sobreposição de sistemas. Metade da população é coberta pelo seguro médico público, gerido por operadoras do governo e privadas. A outra metade é coberta só por planos privados. O beneficiário pode escolher entre o programa público e o privado. Se escolher o privado, o Estado estorna anualmente até 35% do valor pago em contraprestação do plano, para incentivar a migração para planos particulares. Quem tem renda alta e não contrata plano privado é taxado em até 1,5% da renda.
 
No Chile, a cobertura também é universal e não há sobreposição de sistemas. O usuário escolhe se quer ser atendido pelo sistema público ou privado. Se escolher o público, não poderá usar o privado e vice-versa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *