Recém-formados falham em diagnósticos básicos

Fonte: O Estado de S. Paulo – 23/02/2018

 

Por Paula Felix

 

Pela primeira vez em dez anos, mais de 60% dos recémformados em Medicina foram aprovados no exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). No entanto, o porcentual de erros na análise de problemas de saúde frequentes foi considerado alto.

 

Segundo o levantamento apresentado pelo conselho ontem, dos 2.636 egressos do curso no Estado, 1.702 (64,6%) acertaram mais de 60% das 120 questões, a pontuação mínima.

 

Mas 88% dos recém-formados não souberam interpretar o resultado de uma mamografia; 78% erraram o diagnóstico de diabete; 60% demonstraram pouco conhecimento sobre doenças parasitárias; e 40% não souberam fazer a suspeita de um caso de apendicite aguda.

 

“Essa é uma prova de dificuldade de média para fácil. Se o médico não sabe fazer um diagnóstico de diabete e câncer de mama, que é de rotina, é muito complicado. Temos discutido com as escolas de Medicina, que vão receber o resultado.

 

Um indivíduo que não sabe dessas coisas não exerce a Medicina em países como Estados Unidos, Canadá e Portugal. Estamos propondo um curso de reciclagem do conhecimento médico para proteger a população”, afirma Bráulio Luna Filho, primeirosecretário do Cremesp e coordenador do exame.

 

O Cremesp informou que o desempenho dos profissionais também foi melhor do que no ano de 2016, que registrou índice de aprovação de 43,6%. “Nosso objetivo é que a aprovação seja de, ao menos, 85%. Já temos boas escolas públicas que aprovam 95% dos alunos. As escolas privadas ainda têm um longo caminho.” Esta é a 13.ª edição do exame, que não é obrigatório, mas, desde 2015, é utilizado entre os critérios de programas de residência médica, concursos públicos e para a contratação na rede privada, como as Secretarias de Saúde do Estado e do Município de São Paulo e Hospitais como Albert Einstein, Sírio-Libanês e Oswaldo Cruz.

 

Campanha. O Cremesp está lançando uma campanha, por meio de uma petição online, para que o exame se torne obrigatório, por lei, em todo o País. A meta é reunir 500 mil assinaturas que devem ser encaminhadas para o Congresso Nacional.

 

“Nosso objetivo é que esse exame se torne obrigatório em nível nacional. Não queremos mais falar de exame do Cremesp ou exame facultativo, mas de exame obrigatório”, afirma Lavínio Nilton Camarim, presidente do Cremesp.

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