Planos odontológicos podem crescer em dobro no segmento empresarial.

O segmento de planos odontológicos tem crescido acima do segmento de planos de saúde. Para a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), alguns aspectos favoráveis explicam esse desempenho, mesmo diante do atual cenário econômico. Primeiramente, o benefício tem custo final menor para consumidores e empresas, além de a taxa de cobertura ainda ser baixa.

Atualmente, mais de 26% da população brasileira são consumidores de planos médicos privados e aproximadamente 11% são beneficiários de planos exclusivamente odontológicos, o que evidencia que há muito mercado ainda para expansão. Além disso, os planos odontológicos passaram a fazer parte, nos últimos anos, dos benefícios oferecidos pelas empresas, inclusive pequenas e médias, como forma de reter mão de obra qualificada.

Mas, apesar da expansão, grande faixa da população não é coberta por planos odontológicos. Em parte, pesam alguns fatores culturais da saúde do brasileiro. Dados recentes e conhecidos do Conselho Federal de Odontologia, por exemplo, estimam que 20 milhões de pessoas ainda não tiveram acesso a tratamentos com cirurgião dentista no país. Por outro lado, o é um produto recente no país, com apenas15 anos em oferta. Daí porque a FenaSaúde aposta na tendência de crescimento desse benefício nas empresas, mais que o de plano de assistência médica.

Para se ter uma ideia, levantamento da FenaSaúde, com base em dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mostra que, no acumulado de 12 meses encerrados em junho deste ano, os planos exclusivamente odontológicos se expandiram 4,9%, alcançando 21,5 milhões de beneficiários em todo o país, enquanto os planos médicos aumentaram em 1%, no total de 50,5 milhões de vidas. No mesmo período, as associadas à FenaSaúde registraram 15,6 milhões de beneficiários de planos de assistência médica e 13 milhões vinculados a planos exclusivamente odontológicos.

Um fator positivo, novamente, é que as próprias empresas empregadoras, ao perceberem que saúde bucal também impacta positivamente a produtividade, passaram a ofertar, assim como incentivar a adesão aos planos odontológicos. Atualmente, os planos corporativos respondem por parcela maior de consumidores. Em junho de 2015, os planos odontológicos empresariais representavam 73,6% do total de produtos desse tipo; odontológicos individuais (17,3%) e de adesão (8,7%).

Considerando apenas os trabalhadores com carteira assinada, cerca de 50 milhões, as chances de crescimento do mercado de planos odontológicos no segmento empresarial é aproximadamente o dobro. Em 2015, a expectativa é que o número de planos exclusivamente odontológicos cresça um pouco acima de 4%. Aliás, essa taxa está bem acima da previsão para o PIB brasileiro, cuja projeção é negativa, sendo superior ainda ao crescimento anual da população brasileira, da ordem de 0,8%.

Conta a favor dos planos odontológicos a maior resistência à crise econômica em comparação aos planos de saúde. Diferentemente dos planos médicos – amplamente afetados pelo impacto da elevação dos custos –, os odontológicos apresentam números mais estáveis, uma vez que a prevenção impacta na redução da sinistralidade. Em cenário de agravamento da crise econômica, a FenaSaúde estima que os planos odontológicos seriam menos afetados que os planos de saúde.

Por isso, a expectativa da entidade é que esses planos continuem em expansão, porém em um ritmo menor. Mas, independentemente da área, o setor de saúde como um todo vem sendo pressionado por fatores que tornam o atendimento cada vez mais caro, como desperdícios e incorporação tecnológica acrítica. Na visão da federação, é importante empreender esforços para dobrar a curva ascendente dos custos.

Fonte: Portal Segs

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