Para ser sustentável, saúde precisa mudar modelo.

Por Beth Koike
Cuidar da saúde, não da doença. A necessidade de uma mudança de paradigma é unanimidade entre os vários interlocutores da área da saúde – como hospitais, operadoras de convênios médicos e fornecedores de tecnologia aplicada à saúde – a fim de tornar esse setor sustentável diante dos aumentos expressivos dos custos nos últimos anos. Os caminhos que poderiam ser seguidos para essa mudança no modelo do setor foram temas de um debate organizado pelo Valor na noite de ontem em São Paulo.

Entre as sugestões apontadas estão a alteração no sistema de remuneração das operadoras de planos de saúde de acordo com a performance do procedimento médico e não por sinistro, o que acaba por incentivar os gastos; uso de tecnologia para uma melhor gestão das informações sobre os pacientes; mais atendimento primário, ou seja, com médicos generalistas; medicina baseada em evidências; além de maior integração no setor.

“Precisamos resgatar as premissas da OMS (Organização Mundial da Saúde) que consideram prioritário o cuidado de doenças crônicas como diabetes e hipertensão, que são capazes reduzir consideravelmente os custos”, disse Claudio Lottemberg, presidente do Hospital Albert Einstein. Lottemberg destacou ainda o uso exagerado da tecnologia no setor de saúde que traz impactos expressivos nos custos.

A Hapvida, grupo de saúde do Nordeste com 3 milhões de usuários de planos de saúde e uma ampla rede de clínicas e hospitais próprios, faz um forte trabalho de prevenção. “Nosso público é formado principalmente, por pessoas que usavam o SUS e agora tem um plano de saúde pela primeira vez. Nosso desafio é educar, levar informações de saúde”, disse Henning Von Koss, vice-presidente da Hapvida, cuja rede própria é formada por 20 hospitais e mais de 200 clínicas.

Carlos Eduardo Nogueira, diretor-geral da Intersystems, empresa americana de tecnologia aplicada ao setor, destacou a importância da tecnologia na gestão das informações do paciente, dos hospitais e operadoras de planos de saúde, entre outros prestadores de serviço. “Atualmente, apenas 23% dos hospitais privados do Brasil têm prontuário eletrônico e a maioria usa para informações de faturamento, e não de gestão do paciente” disse.

Fonte: Valor Econômico – 05/11/2015

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