O autocuidado já é o ‘novo normal’

A sociedade terá que assumir maior responsabilidade individual pela própria saúde, do cuidado mais simples até o mais complexo

Na última semana, reafirmamos nosso compromisso com o autocuidado. Falamos de um conjunto de atitudes e hábitos bem-vindos ao corpo, à mente e à sociedade – conjunto que, inclusive, é tratado como direito do cidadão pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Em 2011, a entidade instituiu o dia 24 de julho como o Dia Internacional do Autocuidado com a ideia de conscientizar e engajar as pessoas na tomada de decisões em relação à própria saúde. Diante da crise da Covid-19, que deixará marcas profundas no planeta, os sete pilares do autocuidado definidos pela OMS têm tudo para saltar em relevância, apesar dos desafios para a adesão no dia a dia.

A Constituição de 1988 coloca a saúde como direito do cidadão e dever do estado. Apesar de essa ser uma das muitas conquistas da sociedade brasileira com a nova Carta Magna, ela acabou por criar algo como uma terceirização de responsabilidades: as pessoas cuidam muito pouco, ou sequer isso, de sua própria saúde.

Dentro desta perspectiva, o debate é extenso. Basta ver o aumento do número de mortos por infarto do miocárdio em casa desde o início da pandemia. Parte desse número, claro, reflete o medo de sair de casa para buscar suporte médico devido ao risco de se contrair a Covid-19 em um ambiente hospitalar. Veja-se ainda o baixo comparecimento à campanha de vacinação contra o sarampo: não por acaso, foi prorrogada até 31 de agosto devido à adesão, até o momento, de apenas 4% da população. Uma coisa é certa, no entanto: a sociedade terá que assumir maior responsabilidade individual pela própria saúde, do cuidado mais simples até o mais complexo.

O engajamento do paciente envolve incentivá-lo a adotar seus próprios cuidados para ajudar a melhorar os serviços de saúde, como oferecer um melhor atendimento e reduzir custos. Esse engajamento combina conhecimento, habilidades, capacidade e disposição do paciente para gerenciar seus próprios cuidados com as comunicações projetadas para promover comportamentos positivos. Isso se aplica mesmo à realidade da pandemia do coronavírus, frente a ondas de recrudescência

“Não vamos voltar ao ‘velho normal’. A pandemia já mudou a forma como vivemos nossas vidas”, afirmou na última semana o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Para alguns, isso pode representar, agora que se está às vésperas do surgimento de uma vacina, um balde de água fria. Mas fato é que a vida das pessoas e o cuidado individual deverão mudar com ou sem coronavírus.

Melhora generalizada nas condições de saúde, desenvolvimento da medicina, coleta de lixo, tratamento da água, importação de medicamentos e campanhas de vacinação lançadas no país estão entre os fatores que atuaram em conjunto para o avanço da média de expectativa de vida do brasileiro de 1940 a 2018. No período, o aumento foi de 30,8 anos – de 45,5 anos para 76,3 anos.

O momento atual traz novas reflexões e praticar o autocuidado passa pela busca de informações confiáveis e pela criação de bons hábitos de higiene – o que já são preceitos muito disseminados no cenário atual. Envolve ainda a prática de esportes, alimentação balanceada, restrição de comportamentos nocivos como consumo de álcool e tabagismo, conhecimento do próprio corpo e uso da medicamentos de forma adequada. Mas falar não basta: o que se faz necessário é praticar.

Fonte: Veja Saúde – 27/07/2020
Por Claudio Lottenberg

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