Mortalidade infantil em queda

Taxa de mortalidade infantil no Estado de São Paulo caiu para 10,74 óbitos por mil nascidos vivos

Com o registro de 6.569 óbitos de crianças com menos de um ano de idade no ano passado, a taxa de mortalidade infantil no Estado de São Paulo caiu para 10,74 óbitos por mil nascidos vivos. O resultado, aferido pela Fundação Seade, é o melhor da série iniciada no começo do século passado. Mantém, assim, a tendência, iniciada nos anos 1970, de redução acentuada desse indicador das condições de vida da população.

A pesquisa mostra também outra notável mudança nos hábitos e na forma de vida da população. Fatores que no passado não tão distante eram responsáveis por grande parte das mortes de crianças, como doenças do aparelho respiratório, infecciosas e parasitárias, hoje têm peso menor entre as causas dos óbitos infantis no Estado. É a consequência da melhora na qualidade da habitação, menos sujeita a más condições de higiene e falta de saneamento básico, causadoras de muitas moléstias. Cresce, em contrapartida, o efeito de fatores diretamente ligados à gestação e ao nascimento entre as causas dos óbitos, sobretudo nos primeiros dias de vida do bebê.

A pesquisa da Fundação Seade baseou-se em informações dos cartórios de registro civil de todos os municípios paulistas. Por isso, e pelo fato de abranger óbitos de crianças com até um ano de idade, seus dados não podem ser comparados diretamente com outros sobre mortalidade infantil, como os divulgados pelo Ministério da Saúde, que se referem a óbitos de crianças com até cinco anos de idade. Todas as pesquisas têm em comum o fato de apontar tendências desse importante indicador social.

O gráfico da evolução da taxa de mortalidade infantil e do número de óbitos de menores de um ano no Estado de São Paulo entre 1900 e 2017 apresentado pela Seade retrata, de certo modo, o estado de saúde da população e suas condições de vida. Há, nas três primeiras décadas, um aumento acentuado no número de óbitos de menores de um ano. É o período em que a urbanização se intensifica. O ano de 1918, quando o mundo foi atingido pela epidemia da gripe espanhola, registra uma alta notável em relação aos anos anteriores.

É também um período de altas taxas de natalidade, razão pela qual, a despeito de acentuadas oscilações entre um ano e outro, a tendência é de redução da taxa de mortalidade infantil. Essa tendência se acentua a partir do final da década de 1930, curiosamente o período do início da 2.ª Guerra Mundial. Só é interrompida, por causas que não são nítidas, entre o fim da década de 1960 e meados da década seguinte. Este é, curiosamente, o período em que o País viveu o “milagre econômico”, caracterizado por rápido crescimento e inflação baixa. Mas é, também, um período de grandes fluxos internos de migração.

Desde então, a taxa de mortalidade infantil vem caindo, e de modo acentuado, mesmo tendo chegado a níveis bem baixos. No início do século passado, houve ano em que se registraram mais de 250 óbitos de criança até um ano de idade entre mil nascidos vivos. A queda até o ano passado foi de 95%.

O estudo mostrou que, com a mudança das causas dos óbitos, a mortalidade se concentrou nos primeiros dias de vida. Embora a chamada mortalidade neonatal precoce tenha caído de 22,5 óbitos por mil nascidos vivos em 1975 para 5,4 por mil no ano passado, com redução de 76%, ela ainda responde por metade dos óbitos de crianças. Praticamente a totalidade dos óbitos nessa faixa (99%) teve como causas problemas perinatais, ligados à prematuridade, asfixia, infecções intrauterinas – e às malformações congênitas. Já os óbitos pós-neonatais (de 28 a 364 dias de vida) tiveram como causa malformações congênitas (26%), problemas perinatais (14%), doenças do aparelho respiratório (11%) e doenças infecciosas e parasitárias (10%).

O mapa da mortalidade infantil mostra grande heterogeneidade entre os municípios paulistas. Não há regiões que apresentem resultados nitidamente melhores ou piores do que as demais. Dos 645 municípios, 182 não registraram óbito infantil no ano passado, enquanto 273 tiveram taxas superiores à média estadual.

Fonte: Estado de S. Paulo – 31/12/2018

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