Desemprego e crise deixam 1,5 milhão sem plano

Fonte: Estado de Minas – 24/11/2016
Por Marinella Castro
O desemprego, um dos índices que mais reflete o mal-estar social, está ameaçando a expansão dos planos de saúde, e faz crescer a demanda para o atendimento público (o SUS). Nos últimos 12 meses terminados em setembro, 1,5 milhão de brasileiros deixaram os planos de saúde, sendo 1 milhão no Sudeste. Em Minas, a debandada foi de 218 mil pessoas. Os dados divulgados ontem durante o 2º Fórum da Saúde Suplementar relacionam a saída de usuários dos planos à deterioração do mercado de trabalho, já que mais de 80% dos convênios médicos são corporativos, com pagamento integral ou parcial pelos empregadores.

Em Minas Gerais, 218 mil usuários deixaram os planos médicos no período e outros 60 mil cancelaram o convênio odontológico. A evasão reflete o crescimento do desemprego nos diversos setores da economia. Em Minas, são 1,2 milhão de desempregados, representados numa taxa de desocupação de 11,2% entre julho e setembro, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em todo o país, estão sem trabalho 12 milhões, que pressionam a taxa de 11,8% de desocupação, medida no terceiro trimestre.

Como os planos de saúde não são uma contratação obrigatória para as empresas e sim um benefício, o produto está entrando na lista de ajustes principalmente dos micro e pequenos negócios que enfrentam o crescimento das despesas e a queda do faturamento. Mais de 580 mil micro e pequenas empresas estão endividadas no país, acumulando débito de R$ 21,3 bilhões em impostos atrasados.

“As pequenas empresas estão cortando qualquer custo que não seja obrigatório e o plano de saúde entra nesse ajuste”, explica Marco Antônio Gaspar, vice-presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH). Segundo ele, os convênios médicos são contratados como um benefício para o trabalhador e também como ação de combate às faltas ao trabalho, mas em momento de aperto o benefício acaba entrando na lista do que pode ser dispensado. “A tendência é que quando o s resultados melhorarem os planos voltem a ser contratados”, diz Gaspar.

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