Corte de planos de saúde reflete no SUS.

Secretaria de confirma chegada de mais gente e adianta que não há como ampliar atendimento.

Por Renata Coutinho
A já difícil situação da se agravou nos últimos 12 meses. Pacientes relatam essa dificuldade e dados oficiais apontam o que pode ser a causa disso: 65 mil pernambucanos trocaram o plano de privado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), segundo o “Boletim em Números”, do Instituto de Estudos de Saúde. Só no Recife foram 12,4 mil pessoas. A migração foi constatada entre setembro de 2014 e o mesmo período deste ano. Embora ainda sem percentuais, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) confirma que a chegada de mais gente à rede pública já está impactando nas unidades.

“A estrutura do já funciona no limite de uma maneira geral e agora está tendo que se adaptar para receber com segurança essa população que chega”, disse o secretário Estadual de Saúde, Iran Costa, lamentando que a crise econômica tenha levado a população a cortar o atendimento privado. O cenário financeiro atual, destacou Costa, não permite que haja novos investimentos para abarcar os 65 mil usuários a mais. Ou seja, não há como aumentar as unidades ou mesmo as escalas médicas.

Hoje, o Estado realiza 24 milhões de consultas por ano via e nove milhões de atendimentos de urgência. Iran Costa destacou que a situação começou a se complicar já faz três anos, quando muitos planos de faliram no Estado e os usuários não se recolocaram em outras instituições privadas. Esse foi o caso de aposentada Jandira Marinho de Lima, 69, que após 20 anos como usuária de plano teve o contrato extinto por causa da falência da empresa à qual era conveniada. “Ainda busquei outros planos, mas ia ficar mais de R$ 1 mil por mês. O valor era alto demais e não poderia pagar. Tive que ingressar no SUS mesmo. Como imaginava, não é fácil. Agora mesmo estou esperando há quase seis meses para marcar um eletro e um ecocardiograma”, lamentou.

IMPACTO – Para a professora de da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Wanderleya de Lavor, o impacto dos antigos usuários privados deve gerar repercussões na já fragilizada rede pública. “Eu acredito que esse impacto talvez seja sentido de forma maior nos serviços de ambulatório, pronto atendimento e talvez nas internações”, comentou. A professora lembrou que há alguns anos houve um boom de planos de que se somou ao maior poder aquisitivo do brasileiro. “A percepção era de que participando de um a pessoa seria melhor atendida. E as pessoas nem se preocupavam com o que o plano dava direito. Ou seja, as coberturas”, disse. Com a reavaliação entre custo-benefício, principalmente entre os planos menores, a população reviu as prioridades financeiras e de assistência. Entre falhas do SUS e as da saúde suplementar, entre o gratuito e o pago, o brasileiro optou por cortar despesas e utilizar o serviço governamental.

Fonte: Jornal Pernambuco – 06/11/2015

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