Consolidação que passa por hospitais

A consolidação é oportunidade e necessidade, mas somente os hospitais mais preparados serão transacionados.

Será uma reação natural do mercado para combater os crescentes custos da , e a iminente mudança das regras de prestação de serviço de pay for service para pagamentos fixos por controle populacional.

Os hospitais brasileiros serão divididos em quatro grupos: mortos, consolidadores, consolidados e hospitais de nicho. Como sistema em colapso, a forma de pagamento por procedimento será gradualmente substituída.

Um exemplo será o pagamento fixo por grupo populacional, que compartilha com os hospitais os riscos que, atualmente, são apenas dos seguros de saúde ou do SUS.

A consolidação de hospitais é recorrente no exterior.

Os Estados Unidos, maior do mundo no segmento, registraram mais de 150 transações, movimentando cerca de 35 bilhões de dólares em 2016 e 2017. Grandes redes hospitalares foram criadas por meio da consolidação, muitas financiadas por fundos de investimento, e hoje figuram entre os maiores players do mercado americano, como Corporation of America, Tenet Health, Community Health Systems e Unitedhealth.

O Brasil segue o mesmo caminho. Os negócios no país podem movimentar mais de R$ 6 bilhões só em 2018. Um levantamento feito pela Alvarez & Marsal identificou 150 grupos hospitalares privados que podem se beneficiar do processo de consolidação.

Desde 2015, quando foi autorizada a participação direta estrangeiro em empresas prestadoras de serviços assistenciais na saúde, as grandes redes hospitalares seguiram a estratégia americana com suporte de investidores internacionais. O Fundo Soberano de Cingapura (CIG) e os americanos Carlyle Group e Bain Capital apostaram na consolidação do mercado.

Mesmo com as principais redes já transacionadas ou em fase avançada de negociação, ainda existe oportunidade para transações em hospitais regionais de médio porte, entre 70 e 150 leitos. A fragmentação do mercado de pequenos hospitais, aliada à carência de leitos fora do eixo sul-sudeste e no SUS, indica oportunidade para consolidação com benefícios à população.

Mas se por um lado há hospitais de grande porte, com situação financeira estável, vantagens nas negociações com planos de saúde, custos mais competitivos, maior capacidade de investimentos e captação de profissionais, por outro, os hospitais de médio porte ainda engatinham para se enquadrar ao perfil de possível empresa a ser transacionada.

A falta de uma gestão profissionalizada, transparência e regras de governança, muitas vezes, afastam possíveis investidores. Mesmo quando as empresas apresentam as características necessárias, não possuem know-how para conduzir as negociações.

O conhecimento dos métodos de avaliação, valores pagos internacionalmente, e potenciais compradores não óbvios no Brasil e no exterior são pontos importantes para uma operação de sucesso.

Por Gonzalo Grillo

Fonte: DCI – 08/05/2018

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