Como controlar os custos.DRG – Diagnosis Related Group.

Mais de 20 países já adotaram o Diagnosis Related Group – (Grupos de Diagnósticos Relacionados) como forma de melhorar a gestão dos players da saúde suplementar.

Por Amaury Bullock

A saúde suplementar no Brasil está passando por grandes transformações e tem uma complicada equação para solucionar: aumentar a oferta de serviços e diminuir os custos com despesa assistencial.

O resultado dessa questão representa economia tanto para os beneficiários quanto às operadoras de planos de saúde.

Provocado pela Associação Brasileira de Medicina de Grupo – , o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar – IESS e a Federação Nacional de Saúde Suplementar – FenaSaúde, o Centro de Pesquisa em Estratégia – CPE do Insper – instituição de ensino superior e de pesquisa sem fins lucrativos – encarregou-se de tentar encontrar, se não o resultado final, ao menos um meio de equilibrar essas contas.

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Alta dos custos

Paulo Furquim de Azevedo, coordenador do Núcleo de Regulação e concorrência do Insper, apresentou um inédito estudo sobre os custos de assistência à saúde no Brasil, com demonstração da evolução desses

gastos nas últimas décadas e sugeriu possibilidades de como proceder nos próximos anos. “A principal mensagem dessa pesquisa é que, mesmo com uma forte tendência de crescimento dos custos, em parte fruto do desenvolvimento do País, é sim possível contornar este caminho sinuoso e preparar-se melhor para os desafios que virão”, afirmou.

De acordo com a pesquisa, os efeitos da transição demográfica, epidemiológica, o aumento da renda per capita e as falhas no mercado exercem forte influência no crescimento dos gastos. Ele também salientou que a tecnologia é um fator essencial para a elevação dos custos em razão da incorporação de equipamentos de última geração. “Parte dessas despesas pode ser atribuída à melhoria da qualidade da oferta do serviço aos pacientes; por outro lado, existe um problema da forma que a tecnologia entra no sistema de saúde, fazendo com que se encavale sobre os custos preexistentes”, declarou.

 

 

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Paulo Furquim de Azevedo

Segundo Furquim, há muitas falhas de mercado que necessitam ser corrigidas.

Para ele, o modelo de coparticipação em que o paciente se envolve com parte do custo tem resultado interessante, pois o consumidor de planos de saúde acaba por utilizar os serviços oferecidos com mais parcimônia.

Benefícios do DRG

Diante do panorama apresentado por Paulo Furquim, no seminário internacional Evolução dos Custos na Saúde Suplementar, em São Paulo, diversos países já aplicam métodos alternativos para conter a alta dos gastos com saúde.

Atualmente, mais de 20 países adotaram o Diagnosis Related Group – DRG (Grupos de Diagnósticos Relacionados), modelo de remuneração e de controle de custos que classifica os pacientes e ajuda a diferenciar de acordo com a complexidade das demandas hospitalares, no qual a sua principal função é classificar e remunerar os hospitais por tratamento, com valores preestabelecidos.

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Sam Rossolines

Sam Rossolines e Etienne Dreyer, ambos diretores de Healthcare da PricewaterhouseCoopers (PwC) na Áfricado Sul, disseram como foi a implantação e quais foram os resultados obtidos com esse modelo de remuneração em seu país de origem.

Primeiramente, Sam Rossolines pontuou alguns dos desafios enfrentados ao instalar os DRGs, entre os quais, destacou a relação de desconfiança entre os prestadores de serviços e os pagadores, pois no início um acha que receberá menos e o outro que pagará mais pelos mesmos tratamentos já oferecidos. A padronização e garantia da qualidade da codificação clínica, ferramenta fundamental do DRG; a implantação de centros de custos padronizados e de negócios dentro dos hospitais e os altos custos dos hospitais de alta complexidade e especializados são outras dificuldades.

De acordo com Rossolines, o DRG é subdividido em 25 categorias diagnósticas que são semelhantes ao corpo humano, porém esta divisão pode variar dependendo do país ou perfil da doença. “Os DRGs são um sistema vivo em evolução que precisa ser refinado regularmente, conforme as novas técnicas de tratamento e tecnologia que vão surgindo”, salientou.

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Etienne Dreyer

Etienne Dreyer relatou que a implementação do DRG no país africano deu-se no início do ano 2000 e, de acordo com dados consolidados até 2013, os resultados foram bastante positivos – as operadoras de saúde tiveram maior lucro mesmo com a desaceleração do ritmo de crescimento dos prêmios pagos pelos consumidores de planos de

saúde. O diretor destacou ainda que a melhoria na sustentabilidade do setor de saúde na África do Sul propiciou o incremento de 19% no número de hospitais privados entre o período de 2002 e 2014.

Os benefícios dos DRGs são diversos: a concentração dos custos médicos e melhoria na eficiência dos serviços hospitalares; a mudança no comportamento médico, pois é mais focado em resultado e não em quantidade de atendimentos; a diminuição dos tratamentos excessivos e muitas vezes desnecessários; o aumento da transparência dos gastos hospitalares e a melhora dos índices de produtividade.

Segundo sugere estudo apresentado pelo IESS, realizado por José Carlos Serufo Filho, em 2014, somente os hospitais brasileiros poderiam ter economizado mais de R$ 9 bilhões. De acordo com os dados, o gasto médio por internações hospitalares em 2012 foi de R$ 6.815,27. No mesmo período, esses custos alcançaram R$ 32 bilhões, o que representaria uma economia de 28,4% no setor de saúde suplementar (somente hospitais).

amaury_bullock@hotmail.com

 

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