Como a crise na saúde pública afeta quem paga plano.

Fonte: O Povo Online – 04/12/2015
Hospitais públicos oferecem procedimentos que não são cobertos pela saúde suplementar. Com isso, até mesmo quem paga caro para ter atendimento particular pode ser afetado pela crise no Sistema Único de Saúde (SUS).
Por Beatriz Cavalcante
A crise na saúde pública pode afetar a todos. Há serviços, como transplante da maioria dos órgãos, que não são listados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Portanto, não cobertos por planos. A alternativa são hospitais públicos, reconhecidos pela excelência em cirurgias de alta complexidade. Outro exemplo é em caso de acidente. Quem vai atendê-lo primeiramente será o Serviço de Atendimento Móvel de Emergência (Samu). O paciente será encaminhado primeiro a hospital público e estará sujeito a corretores lotados e falta de equipamentos antes de ir ao particular.
Da parte do setor privado, transplantes de rim, córnea e medula possuem cobertura e constam na lista da ANS. Estes casos incluem despesas com doadores vivos, medicamentos na internação, acompanhamento clínico no pós-operatório, captação, transporte e preservação dos órgãos.
Já no caso de fígado e coração, por exemplo, a transplantação somente pode ser feita por equipes credenciadas e autorizadas pelo Ministério da Saúde e 95% dos procedimentos são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme disse ao O POVO o Ministério, em nota.
Segundo a ANS, houve tentativa de incorporação do transplante de fígado ao rol de procedimentos cobertos pelas operadoras. “A decisão pela não inclusão levou em conta uma série de critérios e diretrizes técnicas, entre os quais a disponibilidade de rede prestadora de serviços para os beneficiários de planos de saúde e impacto na política e na logística de fila única para o procedimento”.
Um dos motivos para a concentração é justamente o controle da fila de doação que é centralizado pelo SUS. “A fila de doação desse tipo de órgão (que não pode ser feita por doadores vivos) é única e centralizada através do SUS, assim como a captação e transporte do órgão”, explicou em nota a ANS.
Além disso, por se tratar de transplante, quase que exclusivamente dependente de doadores cadáveres, “o maior fator limitante para sua realização é a captação do órgão, a qual deve seguir os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde”, informa a Agência.
Paulo Everton Garcia Costa, secretário-geral do Sindicato dos Médicos do Ceará, acrescenta que transplantes são serviços de excelência da saúde pública, geralmente não cobertos pela suplementar. “A não ser se for plano especial, mas ele é restrito a poucas pessoas”.
Não compensa
Para Luiz Aramicy Bezerra Pinto, presidente da Associação dos Hospitais do Estado do Ceará (Ahece), como os materiais que os hospitais utilizam são dolarizados, não compensa realizar certos tipos de procedimentos. “Tudo subiu de preço por causa da alta do dólar. Não compensa, economicamente, utilizar certos materiais, porque a lucratividade do procedimento diminui, principalmente quando se fala em cirurgias de alto custo”.
Outro caso no qual quem tem plano vai precisar da saúde pública é quando se sofre acidente. O primeiro atendimento é feito pelo Samu, que encaminha o paciente a hospital público. “Quem paga vai estar sujeito a enfrentar corretores lotados, filas e falta de equipamentos”, complementa Everton Garcia.
O Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), referência no País em transplantes, anunciou, na última sexta-feira, a suspensão dos procedimentos com rim, pâncreas, fígado e medula óssea, por falta de verbas. Mas, na terça-feira passada, o Ministério da Saúde repassou R$ 5,9 milhões à instituição, garantindo seu funcionamento por dois meses, segundo Henry Campos, reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), mantenedora do equipamento o rol de procedimentos e eventos em saúde é a lista dos procedimentos, exames e tratamentos com cobertura obrigatória pelos planos de saúde. Atualmente, o rol inclui cerca de 430 procedimentos de alta complexidade
Os recursos do Ministério da Saúde para procedimentos de alta complexidade concentram-se na realização das cirurgias e em todo o processo que garante o transplante, como incentivo à doação e captação de órgão, rede de informação em todo o País, oferta de medicamentos, exames e acompanhamento dos pacientes.
Para ampliação do acesso ao programa brasileiro de transplantes, o Ministério informa que houve aumento de 30% no investimento na área, chegando a R$ 1,27 bilhão em 2014.
Em 2015, o Brasil teve seu melhor primeiro semestre da história no quantitativo de doadores efetivos de órgãos, tanto em números absolutos quanto na taxa por milhão de população (pmp)

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