Brasil tem a quarta maior inflação médica do mundo.

Fonte: Jornal do Commercio – 07/12/2015
A situação econômica do Brasil em 2015 causou impactos também na área da saúde. De acordo com uma pesquisa internacional da Mercer Marsh Benefícios, consultora especializada em gestão de benefícios e saúde, realizada com 29 países, o Brasil registrou um crescimento de 17% nos custos de saúde neste ano. Segundo o estudo, no mundo, a inflação médica projetada é de 10,5%. O aumento brasileiro foi o quarto maior na relação dos países analisados, ficando atrás apenas da Argentina (29%), Vietnam (23,4%) e Tailândia (17,9%). O continente latino registrou, em média, duas vezes maior inflação médica do que a verificada na maioria dos 29 países.
O termo inflação médica representa o aumento dos custos relacionados à saúde em relação à taxa de inflação econômica. De acordo com Renato Cassinelli, diretor da Mercer Marsh Benefícios para América Latina e Caribe, a taxa médica é geralmente superior à inflação normal, já que leva em conta outros fatores. No caso brasileiro, o aumento na expectativa de vida influencia diretamente. “A idade média do trabalhador também está subindo, o que amplia os gastos assistenciais demandados pela população”, explica. Ele aponta ainda a melhora na tecnologia como outro fator impactante, já que muitos equipamentos e remédios são importados e vêm de fora atrelados ao dólar.
Além de fazer com que boa parte da população abra mão dos planos privados, a atual inflação médica brasileira tem gerado impacto também no custo das empresas que oferecem planos de saúde para os funcionários.
Cassinelli acrescenta que, no continente, ela gera o segundo maior custo na folha de pagamento e tem crescido acima da massa salarial. Ele afirma ainda que tem sido observado um aumento na procura dos serviços médicos em função de uma preocupação dos funcionários com os cortes nas empresas. “O trabalhador acaba pensando que tem de aproveitar enquanto ainda tem o plano, o que aumenta os gastos das empresas com saúde”, explica o diretor da Mercer.
A falta de orientação para o uso racional tanto por parte dos profissionais da medicina quanto por parte dos usuários e beneficiários também acaba gerando reflexo nos custos de assistência médica. Dentro das companhias, a cultura de promoção e da prevenção de doenças ainda não é comum, o que faz com que os serviços só sejam utilizados quando os funcionários adoecem, ampliando dessa forma os gastos. Uma das estratégias que vêm sendo amplamente adotadas pelas empresas para driblar os gastos com saúde, de acordo com Cassinelli, é o compartilhamento dos custos de assistência médica com os funcionários. “Os gerentes têm de buscar novas formas de enfrentar essa situação dentro das empresas, porque não existe expectativa de que a situação se estabilize, mas que siga ampliando a representatividade no custo total das corporações”, acredita.

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