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Brasil tem 615 novas mortes por coronavírus, bate recorde e se torna o 6º com mais óbitos

Recorde de mortes registradas em um dia era de terça (5), com 600 novos óbitos.

Dados do Ministério da Saúde desta quarta (6) mostram que o Brasil bateu um novo recorde de mortes por coronavírus registradas em um dia, com 615 novos óbitos, e se tornou o sexto país com mais óbitos no mundo, segundo a Universidade Johns Hopkins (EUA), que monitora dados da pandemia.

Com um total de 8.536 mortes por coronavírus, o Brasil ultrapassou a Bélgica, que tem 8.339 óbitos.

Os cinco primeiros países com mais óbitos são EUA (72.617), Reino Unido (30.150), Itália (29.684), Espanha (25.613) e França (25.538).

Também houve 10.503 novos casos confirmados no Brasil —o total é de 125.218. Nesse quesito, o país fica em 9º no ranking mundial.

O recorde de mortes registradas em 24 horas era do dia anterior, com 600 novos óbitos.

Segundo especialistas, os números reais devem ser maiores, já que há baixa oferta de testes no país e subnotificação. Atualmente, o país tem 1.643 mortes em investigação.

Questionado sobre se o recorde indica uma necessidade de reforço em orientações de isolamento, o ministro da Saúde, Nelson Teich, admitiu que há uma tendência de aumento na curva e defendeu reforço em “medidas de cuidado”, sem, contudo, citar exemplos.

“Sobre as mortes, a curva não está caindo e vamos ter que prestar atenção nisso e intensificar um pouco mais a nossa comunicação com a sociedade falando dos cuidados”, afirmou. “Vemos que não estamos entrando numa descendente.”

Apesar de reconhecer o aumento, Teich voltou a defender que sejam analisados os cenários regionais, e não uma “média Brasil”. Segundo ele, as orientações devem variar por região.

“Temos que tratar regionalmente. Não existe hoje uma média Brasil, não podemos abordar o Brasil através de uma média. Vemos que para o Brasil não temos uma linha de queda, mas a abordagem de cada região vai depender dos números locais. A estratégia de cada local vai depender da evolução”, disse.

Desde que assumiu o cargo, Teich tem sido alvo de críticas por mudar o modelo de divulgação do panorama da Covid-19 no país. Dados que indicavam alerta sobre a situação da epidemia, como a classificação de parâmetros de alerta por estados e capitais e balanço detalhado de mortes por faixa etária e fatores de risco, por exemplo, têm deixado de serem divulgados.

Por outro lado, a pasta tem aumentado a divulgação de outros dados tidos como positivos, como a estimativa de recuperados. Até esta quarta, eram 51.370, o equivalente a 41% do total.

Representantes da pasta também têm frisado que, entre as novas mortes confirmadas, parte ocorreu em dias anteriores. Dos 615 novos óbitos nesta quarta, 140 ocorreram nos últimos três dias e as demais em outras datas. Para especialistas, a situação revela o atraso no diagnóstico no país.

Questionado sobre a ausência de dados de incidência da doença por municípios, Teich negou que houvesse uma censura e disse que passaria a divulgar os números.

Epicentro da crise, São Paulo continua sendo o estado com mais casos e mortes por coronavírus. Ao todo, são 37.853 registros da doença confirmados e 3.045 mortes. Em meio ao aumento nos números, o estado tem visto cair o índice de isolamento social, o que preocupa autoridades. Na segunda (4), o isolamento foi de 47%.

Depois de São Paulo, o estado com maior número de casos é o Rio de Janeiro, com 13.295 já confirmados e 1.205 mortes.

Já quando analisados os dados de incidência da Covid-19, indicador que abrange o total de casos pela população, outros estados passam à frente. São eles Amapá, Amazonas, Roraima, Ceará, Pernambuco, Acre e Espírito Santo.

Ao comentar os números, Teich apenas citou que a pasta iria reforçar “medidas de cuidado”, mas mais cedo o ministro admitiu a possibilidade de que o governo recomende o chamado lockdown (confinamento radical) para cidades que estejam enfrentando uma transmissão mais grave do coronavírus.

O ministro também afirmou que o plano do ministério para o isolamento social trará diretrizes regionalizadas.

“O importante é colocar que quando a gente fala em isolamento e distanciamento existem vários níveis. É importante que a gente entenda que não existe uma defesa do isolamento ou não isolamento. Vai ter sempre medidas simples até o lockdown. O que é importante é que cada lugar vai ter sua necessidade”, declarou.

Segundo o ministro, as diretrizes para o tema estão em análise na pasta e devem ser divulgadas no momento oportuno, mediante coordenação com as autoridades sanitárias com estados e municípios.

“Vai ter lugar que vamos recomendar o lockdown e vai ter lugar em que existe uma situação que permite tentar alguma coisa”, acrescentou, afirmando que, em locais em que houver menor incidência da Covid-19, serão propostas ações de flexibilização.

Fonte: Folha de S. Paulo – 07/05/2020
Por Natália Cancian, Paulo Saldaña e Ricardo Della Coletta

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