Área da saúde abre vagas no país em plena crise

Fonte: Correio Braziliense – 09/01/2016
Por Margareth Lourenço, Jacqueline Saraiva e Mariana Fernandes
Ano-novo, vida nova, novo. Num país em que mais de 12 milhões de pessoas estão sem trabalho, é natural que o desejo de ter a carteira assinada esteja mais aflorado do que nunca. Apesar desse ambiente hostil, com esforço redobrado e coragem para recomeçar, mesmo que em outra cidade, é possível encontrar boas oportunidades. Levantamento realizado pelo Estado de Minas, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mostra que a recessão não tem impedido a abertura de vagas, sobretudo na área de saúde. Praticamente, em todos os estados e no Distrito Federal há postos abertos nesse e em vários outros ramos.

No entender dos especialistas, o setor de será um dos que mais empregará nos próximos anos. Portanto, aqueles que estão se sentindo desmotivados devem aproveitar a virada de ano para renovar o combustível da esperança. Jogue os preconceitos fora, faça cursos técnicos e não se envergonhe de ter de recomeçar uma nova carreira, mesmo que ganhando menos. Mais à frente, isso pode resultar em rendimentos maiores e na descoberta de aptidões que estavam escondidas pelo comodismo. Há vagas no varejo, na agricultura e mesmo na indústria, cuja produção encolhe há quatro anos seguidos.

A ordem é não desaminar diante dos prognósticos ruins para a economia. Há quem aposte que o desemprego ainda saltará dos atuais 11,9% para 13% ao longo de 2017. “A atual taxa ainda deve crescer mais um ponto percentual antes de ingressar em um quadro de estabilização e, depois, começar a cair”, diz José Márcio Camargo, economista-chefe da Opus Investimento e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

Resistência
Isso não quer dizer que todas as portas estão fechadas. Sempre há alguém em busca de profissionais qualificados e com disposição para aprender. Quem quer uma colocação no de trabalho, além de otimismo, necessita saber onde há emprego. Em um quadro como o atual, os setores que mais resistem são os prioritários, como o de saúde, exemplifica Camargo. Num país que está envelhecendo rápido, como o Brasil, a demanda por profissionais nessa área será cada vez maior. De porteiro de ao mais especializado dos médicos.

O está tão aquecido para os profissionais de que a agenda do cardiologista Paulo Juvenal, 68 anos, está sempre lotada. Nem mesmo o fato de milhares de pessoas terem perdido o convênio médico, por causa do desemprego, reduziu o número de pacientes. A justificativa: as pessoas abrem mão de tudo, menos de cuidarem da saúde. Somente em casos extremos deixam de se consultarem ou de seguirem um tratamento médico.

Por precaução, contudo, Juvenal preferiu não reajustar o valor das consultas. A decisão, tomada no começo do ano passado, será repetida em 2017. Com isso, ele acredita que manterá a clientela intacta. “Não dá para brincar com a crise”, afirma. Para o médico, a tendência do de é de crescimento contínuo, o que permitirá que mais profissionais sejam absorvidos. A prioridade, porém, recairá sobre aqueles que estivem mais bem preparados para ocupar os postos abertos.

“Independentemente da recessão e do desemprego, as pessoas continuam tendo necessidade de atendimento médico e de medicamentos”, ressalta José Márcio Camargo. Sua posição é reforçada pelo Caged. De outubro de 2015 a outubro de 2016, as atividades ligadas ao setor de mantiveram saldo de empregos positivo em 14 das 27 unidades da Federação. Ou seja, foram abertas mais vagas do que fechadas.

Mundo digital
Assim como a saúde, a área de educação também costuma abrir vagas independentemente da crise. “As formas de ensino podem se alterar, pois as pessoas continuam atrás de mais capacitação. Num quadro de recessão, é preciso buscar mais conhecimento para enfrentar a concorrência no mercado”, ressalta o economista da Opus Investimentos. O interessante é que, nos próximos anos, as instituições de ensino vão contratar profissionais para ministrar cursos nada convencionais. As escolas formarão, por exemplo, especialistas em desintoxicação digital. Como a internet estará em todos os lugares, será preciso alguém para ajudar as pessoas a se livrarem da dependência do celular e das redes sociais.

Para Carlos Alberto Ramos, professor da Faculdade de da Universidade de Brasília (UnB), comércio e serviços, mesmo sentindo hoje a força da recessão, continuarão a ser grandes empregadores. “Esses segmentos são sempre mais resistentes, assim como profissões ligadas aos setores de informática e de dados, como estatística, matemática e engenharia de rede. Mesmo com a crise, a procura por especialistas nessas áreas continua grande”, frisa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *