Apenas 14% das empresas brasileiras possuem programas de gestão em saúde, revela pesquisa

Fonte: Revista Cobertura de Seguros – 17/08/2016
Levantamento da Aon aponta que índice é modesto quando comparado aos Estados Unidos; projetos de prevenção bem elaborados podem ser eficazes para diminuir custos com planos médicos.
Gastos crescentes em continuam preocupando as organizações em todo o mundo. A Aon – consultoria e corretora de seguros – realizou uma pesquisa em 90 países, abrangendo mais de 4000 empresas com o objetivo de mostrar o panorama do setor em escala global. O resultado revela que o desembolso com planos médicos cresce a uma taxa bem mais elevada que a inflação geral. Para se ter uma ideia, o índice de inflação médica no Brasil este ano é de 16,7%, enquanto que a geral ficou em 7,3%, uma diferença de 8,4%, a maior já registrada.
Mesmo com esse índice, o levantamento aponta que apenas 14% das empresas brasileiras pesquisadas proporcionam aos seus funcionários algum tipo de programa de promoção de saúde. Este percentual é ainda menor quando consideramos programas que estão conectados a uma estratégia da organização e de forma contínua. Muitas ações são realizadas de forma isolada e pontual e não garantem a longevidade do benefício.
Segundo Humberto Torloni Filho, vice-presidente de benefícios globais da Aon para a América Latina, esse índice é muito tímido quando comparado aos Estados Unidos, que é de mais de 40%. “Ainda há muito a se fazer quando se trata de inserir este hábito dentro das corporações brasileiras. É preciso reforçar que esses programas trazem resultados em médio e longo e começam a ser aferidos após 18 meses”, ressalta.
Para ele, as empresas precisam engajar todos os setores e não apenas o de recursos humanos, pois só assim é possível atingir êxito. “É fundamental, também, envolver e conscientizar os colaboradores sobre o uso do plano de saúde. Além de estimular as seguradoras a trabalharem mais próximas. Atualmente, diversas operadoras já começam a tomar atitudes mais proativas, mas ainda há muito o que se desenvolver no mercado”, comenta.
O executivo esclarece que os programas de promoção em saúde, usualmente, abrangem campanhas de vacinação, check up, estímulo a atividades físicas e até orientação alimentar. “São as melhores formas para promover a diminuição dos custos de de forma sustentável. Todos os ‘atores’ do sistema de saúde, desde o empregador, colaboradores, operadoras, profissionais da saúde e até ANS – Agência Nacional de Saúde – devem estar envolvidos e engajados em busca da do setor”, avalia.
Torloni aponta o papel importante do colaborador por meio do autocuidado, ou seja, a promoção de sua saúde, especialmente neste momento de crise que traz ameaças para o bem-estar das pessoas. “O caminho é promover o engajamento dos colaboradores na mudança de comportamento. Outros aspectos importantes, neste caminho, são o engajamento da liderança, coleta de dados consistente, parceiros internos e externos e uma comunicação efetiva”, afirma.
O estudo realizado pela Aon destaca também que os principais fatores responsáveis pelo incremento geral dos custos dos no Brasil são todos os gastos que envolvem hospitais, honorários médicos e laboratórios, sendo que, os hospitais representam 45% dos gastos de um plano de saúde. Humberto Torloni Filho explica que a carência de leitos é um dos fatores que inflaciona os custos, já que os hospitais, frequentemente, estão com a demanda maior do que a oferta. “Conseguir manter a inflação médica alinhada com a inflação geral é, hoje, o grande desafio do mercado, não só no Brasil, como no mundo”, acrescenta.
O vice-presidente de benefícios globais da Aon para a América Latina observa que o aumento da inflação médica no Brasil e no mundo fez com que a contratação dos passasse a ser uma questão estratégica das empresas. “No caso das multinacionais, decisões que eram tomadas em nível local, agora, dependem de aprovação regional, quando não da matriz da empresa. Atualmente, a contratação dos planos de é feita pelo diretor financeiro ou, até mesmo, pelo comitê executivo e não mais somente pelo das empresas”, revela.

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