A saúde na era digital

O que hospitais, laboratórios, healthtechs e clínicas médicas estão trazendo de inovação tecnológica para mudar para sempre sua relação com a medicina.

Fazer contas é uma boa maneira de enxergar contextos. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que os gastos no setor equivalem a 10% do PIB global. Nos países de alta renda, eles representam US$ 270 por pessoa. Nos de renda média e renda baixa caem para US$ 60. No primeiro bloco, esse valor cresce 4% ao ano. No segundo, 6%. Na média global, 51% das despesas são custeadas pelo poder público. Há hoje 7,7 bilhões de pessoas. Em dez anos a previsão é que sejamos 8,5 bilhões – alta de 10,4%. Além disso, viveremos cada vez mais. O resultado é que a conta não fechará. E o cenário da saúde de hoje será a trava do crescimento de amanhã. Em especial nos países de economias mais frágeis ou instáveis. A saída estará em saltos tecnológicos e de inovação. “O futuro será muito mais centrado no paciente e orientado a dados”, disse Tim M. Jaeger, head global de Soluções de Informações de Diagnóstico da Roche, no estudo Clinical Decision Support. Saiba o que os principais hospitais, laboratórios e healthtechs do Brasil trazem para revolucionar as práticas de saúde num motor não só de bem-estar, mas também de toda a economia.

Há seis décadas a humanidade alcançou uma marca sem precedentes. A expectativa média de vida superou os 50 anos. De 1960 até 2020 ela saltou num ritmo exponencial. No ano passado, das 141 milhões de crianças nascidas, as do gênero masculino viverão em média 69,8 anos e as do gênero feminino, 74,2 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso de um lado. De outro, a mesma OMS divulgou em 2018 a última classificação mundial de doenças, a CID-11. São 55 mil. Juntando as duas pontas o que se tem é mais pessoas vivendo mais em meio a mais doenças. É esse nó na saúde pública que precisa ser desatado. Com velocidade, volume e qualidade. E a tecnologia estará encarregada de resolver o problema.

O serviço de telemedicina do Hospital Albert Einstein já tem em sua base 1,6 milhão de brasileiros de mais de 1,2 mil cidades – cobertura muito superior à abrangência de suas unidades físicas. E isso só deve aumentar. “Dentro de um ano, mais de 50% dos médicos já terão realizado algum tipo de atendimento a distância”, disse à DINHEIRO o presidente do Einstein, Sidney Klajner. “Em três anos, esse número deve passar dos 90%.” A atuação do grupo na área vem desde 2012. Mas a explosão de interações se deu na pandemia de Covid-19. Os atendimentos virtuais saltaram de 70 para 1 mil por dia. “A telemedicina tem sido muito favorável para acompanhar pacientes com doenças crônicas ou em situações agudas de baixa complexidade”, afirmou Klajner. Em pesquisas internas, o Einstein constatou que mais de 90% dos usuários classificam a telemedicina como boa ou ótima.

Esse ponto é decisivo. A aceitação das pessoas. No Hospital Alemão Oswaldo Cruz, isso vem conjugado à aceleração. “Recebi ontem [terça-feira, 28] relatório concluindo que avançamos dez anos em 90 dias”, afirmou Allan James Paiotti, superintendente do Oswaldo Cruz. A avalanche tecnológica, no entanto, não está descolada de um tema sempre sob discussão quando se trata de telemedicina: a relação de confiança e empatia entre médico e paciente. E muitas vezes a resposta vem de cuidados simples. “Algo que tem ajudado muito é o contato visual com o médico”, afirmou Paiotti. “Nossa interface foi desenhada, e os médicos treinados, para sempre existir o contato olho no olho com os pacientes. É algo muito sutil, mas que supera nossas expectativas.”

Essa era a questão que talvez mais preocupasse de pacientes a médicos renomados: a de que a tecnologia comprometesse parte da relação. No United Health Group, empresa americana presente em mais de 130 países, o mergulho tecnológico se dá em duas frentes. Numa, com seus 33 hospitais no Brasil, que incluem o Samaritano Higienópolis (São Paulo) e o Pró-Cardíaco (Rio de Janeiro), sob a bandeira Americas Serviços Médicos. Em outra, com a Amil e seus 3,5 milhões de beneficiários de planos médicos. “Utilizamos soluções de Inteligência Artificial e Inteligência Cognitiva principalmente para análise automatizada e suporte a decisões”, afirmou Jalmor Muller, vice-presidente de Tecnologia da Informação do United Health Group Brasil. Na Amil, a telemedicina começou a ser oferecida desde julho do ano passado a um grupo de 180 mil clientes do plano premium. Em março, com a explosão da pandemia no Brasil, foi lançada solução para todos os 3,5 milhões de beneficiários. Em, quatro meses já foram realizados mais de 380 mil atendimentos. O diretor médico da Amil, Fernando Pedro, diz que a aprovação foi universal. “Houve aceitação de 92% entre os clientes, incluindo idosos, que já respondem por 16% dos atendimentos.”, afirmou. Ele credita os índices a um componente mais assimétrico na relação médico-paciente. “A telemedicina empodera os usuários.”

Não apenas nas grandes redes privadas as soluções de ponta se destacam. O paulista Instituto do Coração (Incor), que faz parte do complexo Hospital das Clínicas (HC), mostra que a telemedicina é um jogo ganha-ganha. Desde 2009, com a crise do H1N1, se acentuou a discussão sobre a necessidade de uniformização de atendimentos e especialmente de resultados nos tratamentos. As discussões culminaram na criação de uma Unidade de Terapia Intensiva ‘líder’. “Os membros dessa UTI respiratória, em vez de dar plantão nela, dão plantão na telemedicina e interagem com colegas de diferentes hospitais do estado. Já estamos indo para 20 hospitais da rede pública de São Paulo”, afirmou o professor Carlos Carvalho, coordenador da TeleUTI do Incor. É um ecossistema de soluções. Para ele, o avanço tecnológico levará a mudanças transformadoras no segmento. “Hospitais só terão doentes graves. Casos mais simples serão tratados em casa.”

A telemedicina na UTI também é uma solução do Hospital Moinhos de Vento. Na rede gaúcha, um projeto de TeleUTI pediátrica está conectada a parceiros em Palmas (TO) e Sobral (CE). O resultado é mais saúde à população. “Em um de nossos hospitais reduzimos em mais de 50% a mortalidade na UTI pediátrica, sendo que a redução de 5% é considerada ótima e uma de 10%, fenomenal”, disse Felipe Cabral, responsável pela área de Telemedicina do Moinhos. Ele aposta em outros procedimentos de certa forma não complexos como ferramentas tecnológicas. “Tenho certeza absoluta de que a introdução de wearables vai melhorar e ampliar o leque de diagnósticos.” O que acarretará em agilidade, conforto. Ganhos. “A tecnologia aproxima as pessoas, não afasta”, afirmou Cabral. Com muita saúde.

Em um cenário de isolamento social imposto pelo aumento de casos da Covid-19, que já infectou cerca de 2,5 milhões de pessoas no Brasil, o atendimento médico de forma virtual tornou-se mais do que uma alternativa ao contato presencial entre paciente e médico para se transformar em uma questão de saúde pública. Se antes da quarentena a dificuldade de acesso ao profissional de saúde era algo bem significativo no País, em seus 5.570 municípios, com a crise sanitária o abismo se acentuou. Mas o ponto de partida já foi definido. Nesse contexto, inovar significa garantir mais acesso a consultas, em diferentes tipos de plataformas.

Entre as principais empresas de medicina diagnóstica no País, a adoção da telemedicina é vista como caminho sem volta, independentemente da reabertura gradual da economia e flexibilização de circulação nos municípios. “Vivemos o melhor momento para o binômio médico-paciente. Num país com as nossas dificuldades de acesso, a telemedicina significa acesso à saúde”, disse Ana Elisa Siqueira, CEO da GSC, empresa que integra o grupo Dasa, líder em medicina diagnóstica no Brasil. O trabalho de atendimento remoto foi intensificado a partir da regulamentação em caráter emergencial, no fim de março, pelo Ministério da Saúde, durante a pandemia do novo coronavírus.

Nos últimos três anos, a empresa destinou R$ 3 bilhões para ações de transformação digital e acelerou processos nos últimos meses, já durante a pandemia. Hoje, segundo a companhia, são 1 milhão de vidas com acesso à telemedicina. De março até agora, foram atendidos 13 mil pacientes por meio do Pronto Atendimento Digital, a quem manifestou sintomas da doença. Mais recentemente, a telepsicologia foi incorporada pelo GSC. “É uma oportunidade para darmos um passo além na gestão da saúde com o uso da tecnologia”, afirmou Ana Elisa.

Sustentabilidade do sistema

A SantéCorp, do grupo Fleury, ampliou a presença nessa modalidade com a plataforma Olhar Digital, que inclui consulta on-line, prontuário eletrônico, ferramenta de anamnese (informações completas do paciente para ajudar no diagnóstico) e acesso a exames realizados nas unidades do grupo de medicina diagnóstica. “A telemecidina vem não só para conectar médicos, mas também para contribuir com a otimização de investimentos e auxiliar na sustentabilidade do sistema”, afirmou o CEO da empresa, Eduardo Oliveira. Ainda que engatinhando no País, a telemedicina já segue as recomendações da Lei Geral de Proteção de Dados, que entrará em vigor em 2021, algo que poderia ser alvo de preocupação por possíveis vazamentos. “Há a garantia do sigilo da consulta e da guarda de informações do paciente”, disse o executivo da SantéCorp.

Antes mesmo da relação remota entre o profissional de saúde e quem precisa de atendimento, o grupo Hermes Pardini passou a adotar, em 2014, exames diagnósticos a distância, especialmente telerradiologia e telecardiologia. Com a pandemia, foram incorporados serviços como triagem clínica – principalmente para suspeitas da Covid-19 – e saúde mental, com telepsiquiatria e telepsicanálise. “De maneira muito acelerada, médicos e empresas de saúde têm compreendido esse movimento, principalmente quando percebem que a tecnologia é uma aliada”, disse Alessandro Ferreira, vice-presidente comercial e de marketing do grupo.

“Vivemos o melhor momento para o binômio médico-paciente. num país com as nossas dificuldades, a telemedicina significa acesso à saúde” Ana Elisa Siqueira, CEO da GSC, do grupo Dasa.

A gestão orientada a soluções tecnológicas pede investimentos de todos os players do segmento. O Grupo Integra de Medicina Diagnóstica-Isa Home Lab investiu R$ 1,5 milhão em inovações para atendimento a pacientes. “Isso ajuda em 80% dos casos de quem iria ao pronto-socorro por uma queixa comum”, afirmou o sócio-fundador David Pares. “Um paciente com dor de cabeça pode ser consultado por um clínico por telemedicina, receber a medicação on-line e evitar uma tomografia desnecessária.” Esse é o diferencial. Ao eliminar o desnecessário, o sistema como um todo se torna mais eficiente.

A análise de Pares é semelhante à do fundador da rede de clínicas Alba Saúde, Paulo Granato, que planeja lançar sistema de autoatendimento com reconhecimento facial, para garantir os processos de agendamento, atendimento e pagamento sem necessidade de interação humana. “Temos soluções de laudos remotos para eletrocardiograma, Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (Mapa), Holter, raios-x e mamografia, além da introdução recente das consultas on-line”, afirmou o dirigente da rede. Já o sócio do grupo Velas e diretor-clínico do Instituto Trata, o médico Thiago Fukuda conta que, nas suas unidades médicas, que reúnem 200 endereços no País, os projetos de tecnologia foram antecipados com a quarentena. “Investimos R$ 2 milhões em um software e mais R$ 500 mil em um aplicativo que gerencia as clínicas e o tempo dos profissionais”, disse.

Há quem aposte em diminuição gradual no trânsito de pacientes para locais físicos, com a consolidação dos serviços de medicina por meio virtual, mesmo após o fim da pandemia, a retomada da economia e a aguardada vacina. Alessandro Ferreira, do Hermes Pardini, diz que isso não significa que a telemedicina irá substituir a maneira tradicional de atendimento. “Mas estamos longe de explorar todas as alternativas”, afirmou. Um bom indicativo de que estaremos trilhando de fato nesse caminho será quando, em vez de procurarmos o endereço do consultório, passarmos a procurar antes o aplicativo no celular que garanta o atendimento rápido. Sem precisar dar um único passo.

Crescimento rápido, solu- ções tecnológicas, encurtando processos e gerando lucros sem custos exorbitantes. O conceito de startup nunca esteve tão em alta. O Brasil possui 13,3 mil empresas desse tipo, segundo a Associação Brasileira de Startups (ABStartups), quantidade 2.117% maior do que em 2011. As chamadas healthtechs, somam 3,5% do total, atrás apenas das voltadas para Educação (5,9%), Finanças (4%) e Internet (3,6%). O ecossistema criado por elas tomba na ponta final, o consumidor. Duas parcerias da rede Raia-Drogasil, Conexa e Dr Consulta, já levaram a 15 mil pedidos de telemedicina em apenas quatro meses. Confira, a seguir, nove cases de startups na saúde.

Biometria contra a tosse


A Unike Technologies nasceu em 2019 para oferecer identificação e autenticação por biometria. Durante a pandemia, após receber investimentos de R$ 3 milhões, a frictech ganhou sua vertente healthtech e desenvolveu um hardware para tablet com câmera que realiza medição de temperatura e checagem do uso de máscaras. Também participa de um projeto para uso do microfone e da câmera dos smartphones para efetuar a Tussinografia (estudo do som da tosse) e diagnosticar Covid-19. “Esses conceitos estarão presentes de agora em diante”, afirmou André Barretto, fundador e CEO da Unike Technologies.

Alta assertividade


Há 16 anos no mercado de telemedicina, a GetConnect viu a demanda por dermatologia, reumatologia e neurologia crescer na pandemia. A empresa atua com 21 mil médicos e possui cerca de 580 mil pacientes cadastrados. Nos próximos meses, será lançada uma nova ferramenta, o Midas, que vai auxiliar os médicos no diagnóstico. “Um profissional de saúde não tem como absorver milhares de informações. Agregaremos resultados de exames laboratoriais, o que aumentará a assertividade”, disse Marcelo Fanganiello, diretor da GetConnect.

Decisões rápidas


O tradicional modelo de médico da família ganha contornos tecnológicos com a Amparo Saúde, que realiza 20 mil teleconsultas por mês. “Hoje, representam 85% dos nossos atendimentos”, afirmou Emílio Puschmann, CEO e fundador da companhia. Após triagem inicial, feita por aplicativo, site ou telefone, a atendente eletrônica realiza o encaminhamento do paciente. No atendimento, há soluções de vídeo, solicitação de exames, envio de receitas e laudos, tudo de forma 100% digital.

Automatização e qualidade


Com o fim da quarentena é consenso de que as pessoas estarão receosas em sair de casa, mesmo para ir à consulta, o que leva impactos negativos a consultórios médicos. O que leva o app Docway a ganhar ainda mais relevância – na pandemia e provavelmente em seu pós. A ferramenta usa tecnologia para agendamentos, transmissão de dados, prontuários médicos e envio de receitas. “Fazemos tudo que puder ser automatizado sem prejuízo da qualidade do atendimento”, disse Fábio Tiepolo, CEO da startup. Levantamento da empresa mostra que 70% dos pacientes voltam a fazer uma teleconsulta depois de 60 dias.

Foto do bem


Sabe aquela selfie que você faz de brincadeira? Para a Conexa Saúde, essa foto pode servir para analisar seus sinais vitais, com o uso de Inteligência Artificial. A plestimografia facial está em testes e deve ser usada em breve. Por enquanto, a startup utiliza biometria facial para elegibilidade de acesso médico. Além disso, faz transcrição do áudio da teleconsulta para reduzir o tempo de documentação do atendimento. “E estratificamos diversos dados de saúde dos usuários, entre eles doenças prévias e sintomas”, afirmou Guilherme Weigert, CEO da Conexa.

“Apenas em junho foram mais de 1 milhão de prescrições eletrônicas. O que lavaria cinco anos levou dois meses” Ricardo Moraes, CEO da Memed.

Terreno fértil


A Teledoc Health, que chega a realizar globalmente 20 mil teleconsultas por dia, viu esse modelo de atendimento acelerar durante a pandemia. Aumentaram principalmente os diagnósticos radiológicos, teleorientações médicas e teleconsultas psicológicas e nutricionais. A empresa enxerga um terreno fértil diante do cenário brasileiro, segundo Jean Marc Nieto, diretor-geral da Teladoc Brasil. No País, apenas 25% da população têm plano de saúde e o SUS sofre com a falta de recursos e sobrecarga de atendimento.

Padrões de comportamento


Graças à tecnologia, 98% dos pacientes do Grupo Iron têm seus casos solucionados por atendimento virtual e apenas 2% precisam ir ao consultório. Segundo a empresa, isso acontece devido à utilização de padrões comportamentais dos pacientes, por meio de respostas a inquéritos e comentários dos médicos. “Usamos algoritmos em processos internos e mapeamento de dados”, afirmou Jorge Ferro, fundador e CEO do Grupo Iron, que está em seu primeiro ano no Brasil e prevê faturamento de R$ 40 milhões em 2020.

Por e-mail e SMS


Implantada no Brasil em 2012, a receita médica digital tornou-se essencial durante a pandemia. “Um movimento que, talvez, levasse cinco anos para ocorrer, aconteceu em apenas dois meses”, disse Ricardo Moraes, CEO da Memed, que apenas em junho registrou 120 mil médicos, 25 mil farmácias vendendo medicamentos com receita digital e mais de 1 milhão de prescrições eletrônicas. Os documentos são enviados ao usuário por e-mail ou SMS. “Esse processo proporciona segurança ao paciente e garante o entendimento exato do produto prescrito na receita.”

Num só lugar


A proposta do InterPlayers é oferecer serviços de saúde num só lugar . Para isso, atua em cinco frentes: Pharmalink (markteplace B2B, que integra 70 mil farmácias do País e 500 centros de distribuição), Portal Especialidades (marketplace de produtos de alto custo e alta complexidade, que integra hospitais e clínicas com a indústria e a distribuição), Portal da Drogaria (canal de relacionamento entre farmácias e consumidor), Go Pharma (atendimento cognitivo, centrais de atendimento e mídia social) e QuickMed (atende médicos na geração de demanda e início de tratamento). Com tudo isso, a empresa registrou, em 2019, R$ 43 bilhões transacionados e 1 milhão de usuários. “Usamos machine learning e Inteligência Artificial para análise de dados e direcionamento dos esforços dos nossos clientes”, afirmou Mario Souza, gerente de soluções da InterPlayers.

Fonte: IstoÉ Dinheiro – 31/07/2020
Por Renata Duffles

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