22º Congresso Abramge discute a saúde suplementar para cinco anos

Fonte: Revista Cobertura – Online – 22/08/2017

Desafios e perspectivas para a evolução do seto

Por Tany Souza

Aparentemente a recuperação do país é lenta, mas é importante. Foi assim que o presidente da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), Reinaldo Scheibe, abriu o 22º Congresso Abramge, ressaltando que é preciso pensar no futuro e saber como o setor chegará lá. “Segundo o último estudo do Ibope e IESS, 80% é o grau de satisfação dos beneficiários. O nosso produto de saúde já é bom para os clientes, mas a busca por resultado e qualidade é constante. Esse é um dos desafios e compromissos do setor ao oferecer um produto tão desejado para população”. O evento foi realizado pela entidade entre os dias 17 e 18 de agosto, em São Paulo.

Scheibe também destaca outros desafios para o setor nos próximos anos, que são o combate ao desperdício, às fraudes e a judicialização da saúde. “Como as grandes operadoras estão atuando para combater a fraude? E mais, a queda de beneficiário será revertida?”, indaga.

Leandro Fonseca, diretor presidente substituto da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), diz que muito se fala dos problemas do setor, mas que isso é bom para corrigir rumos. “É bom lembrarmos que a saúde faturou o ano passado R$ 161 bilhões, porém, a cada R$ 100, R$ 85 se destinam às despesas assistenciais, ou seja, é um setor que produz saúde. Foram mais de um bilhão de atendimentos entre consultas, exames e internações”.

O diretor presidente da ANS reforça que a saúde suplementar é importante sob o ponto de vista econômico e social do país. “É um setor que gera empregos, mais que a indústria automobilística, que contribui para a produtividade média da economia média brasileira, já que atende em sua grande parte os trabalhadores. Claro que há desafios a serem enfrentados, mas não devemos esquecer tudo o que foi feito até aqui”.

Entre os diversos desafios, ele lembra que a ANS tem feito seu papel e que há no momento quatro consultas públicas sendo realizadas. “Uma que trata do programa de escala adequada, que visa incentivar uma saída ordenada de operadoras que não têm condições de continuar no mercado. A segunda é sobre contratações coletivas de poucas vidas, pois temos a preocupação de não restringir o acesso ao plano de saúde, mas é preciso dar mais segurança jurídica a todas as partes. Outra é sobre portabilidade de carências, para permitir maior flexibilidade na troca de operadoras dos beneficiários e, assim, promover mais concorrência. E a quarta consulta pública é para revisitar o sistema de fiscalização da agência com o intuito de tornar mais efetivo o poder sancionatório da agência”. Ele completa: “Saúde é um tema que pode e deve envolver outros players, chamar atenção do governo e da sociedade. Todos nós precisamos nos engajarmos, pensar para frente para o que precisa ser feito”.

A política e a economia do país

Gerson Camarotti, comentarista político da GloboNews, fez uma projeção política e econômica do país. “Em médio prazo acredito que sou mais otimista que em longo prazo. Temos um ambiente de muita incerteza na política que se intensifica cada vez mais com a Lava Jato”.

Para ele, o cenário político é extremamente complicado. “O grande problema que veremos é caso tenhamos um discurso de facilidades, de que tudo é possível. E esse é o grande ponto para 2018. Se houver um candidato com discurso de assumir responsabilidades e esse for eleito, acredito que o Brasil pode fazer mudanças significativas em quatro anos. Porém, se cair em um discurso de ‘Salvador da Pátria’, perderemos nossa capacidade de mudança”.

Um aspecto positivo, segundo Camarotti, é em relação às aplicações financeiras internacionais. “Em qualquer outro momento, o movimento seria dos investidores internacionais deixarem o país imediatamente. Porém, todo mundo quer apostar e está apostando em uma solução para o Brasil. E agora dependerá da nossa política”.

Camarotti diz que a Lava Jato, do ponto de vista institucional, faz com que o Brasil seja capaz de expor todas suas entranhas das políticas e ainda resistir. “De fato estamos entrando a fundo, abrindo o esquema que estávamos vendo na política brasileira. De agora em diante, o Brasil está conseguindo avançar no combate à corrupção e, em médio prazo, isso será um avanço institucional enorme e do ponto de vista de economia, se comparar com outros países do BRICS, o Brasil já está em outro patamar e estará em posição ainda mais privilegiada daqui a alguns anos”.

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