Pandemia impacta área de ‘compliance’, diz KPMG

Pesquisa mostra que em 83% das empresas houve impacto relevante ou muito relevante nas atividades do setor de conformidade

Pesquisa realizada pela KPMG com 40 diferentes empresas do país mostra que em 83% delas houve impacto considerado relevante ou muito relevante da pandemia nas atividades do setor de conformidade, ou “compliance”, no jargão do setor. Para 40% dos entrevistados, houve impacto relevante, enquanto para 43% os efeitos foram muito relevantes. Os dados mostram ainda que 97% das companhias implementaram comitês de gerenciamento de crises, mas apenas em 63% os executivos responsáveis pela área de conformidade participam desses grupos.

O sócio da área forense e compliance da KPMG, Emerson Melo, responsável pela pesquisa, ressaltou que algumas das organizações consultadas estavam preparadas para fazer a transformação para treinamentos digitais “de uma forma muito rápida em resposta ao isolamento social e ‘lockdown’ [quarentena total]”. “Por outro lado, organizações que têm pessoas trabalhando em campo, com pouco acesso a computadores, tiveram mais dificuldades.” 

Durante maio, a KPMG pesquisou companhias abertas e fechadas dos setores de agronegócio, infraestrutura, têxtil, óleo e gás, automotivo, entidades sem fins lucrativos, startups, governo, saneamento, construção, mineração, saúde, energia, comunicação e bens de consumo.

Melo explicou que as investigações dentro das empresas sofreram grande impacto durante a pandemia. Primeiramente, porque uma parte dessas investigações é conduzida com visita ao campo e entrevistas dos alvos. “Essas visitas ao campo foram reduzidas, em alguns casos eliminadas, e algumas empresas relataram que não estavam conseguindo avançar nas investigações, dado que não conseguem fazer as entrevistas”, frisou. “Algumas delas não conduziram entrevistas remotamente e algumas que conduziram tiveram que investir fortemente em treinamento porque as pessoas em casa podem ser expostas a situações complicadas frente à família.”

Melo ressaltou que as empresas estão agora investindo para ter protocolos apropriados para realizar as investigações de conformidade de forma remota.

Essas dificuldades na adoção de hábitos de investigação remota levaram a uma redução das apurações em 22% das empresas, enquanto em 18% houve a suspensão dos trabalhos. Para 22%, houve aumento das investigações, enquanto 38% não relataram mudanças.

A pesquisa mostrou que a covid-19 e seus efeitos sobre a economia e a sociedade levaram 97% das empresas a constituir comitês de gerenciamento de crises. Uma curiosidade percebida por Melo é que 63% das empresas, porém, não incluíram os diretores de compliance nesses grupos. “Tem um percentual relevante de empresas em que o compliance não é visto de forma estratégica”, ponderou Melo.

O estudo da KPMG indicou que os maiores riscos às regras de conformidade nas empresas durante a pandemia são as doações; a necessidade de contratação; e novas regulamentações, além de ter havido um aumento do número de fraudes digitais, fruto do crescimento das transações pela internet.

A pesquisa concluiu ainda que para 43% dos profissionais entrevistados, as atividades de compliance voltariam ao “novo normal” apenas entre três e seis meses, ou seja, a partir de agosto. E para 43%, esse retorno ao normal ocorreria apenas no ano que vem.

Fonte: Valor Econômico – 13/07/2020
Por Rafael Rosas

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