Novo plano adota cobrança por desempenho e atrai investidores

O plano de saúde Alice vai atender pessoas físicas em São Paulo

Depois de sair da empresa de transporte 99, André Florence e Matheus Moraes planejavam montar um novo negócio. Ao avaliar algumas opções, perceberam que o setor de saúde apresentava um desafio interessante. Depois de comentar sobre a ideia com os sócios do fundo Canary, os dois foram apresentados a Guilherme Azevedo, cofundador do Dr. Consulta, que também vinha pensando em novas áreas para atuar.

Desse encontro nasceu a Alice, um plano de saúde aprovado em janeiro pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A ideia, segundo Florence, que foi diretor financeiro da 99 e agora preside a startup, é trabalhar no modelo de cobrança baseado em desempenho (value based), não por serviço prestado como o mercado funciona tradicionalmente. A abordagem tem ganhado atenção como uma alternativa para conter os crescentes custos de operação e, consequentemente, dos preços dos planos de saúde.

A operação começa pela cidade de São Paulo e se focará, inicialmente, nas vendas de planos individuais para pessoas físicas, um segmento do qual as operadoras se afastaram nos últimos anos. De acordo com Florence, o atendimento corporativo virá em um outro momento. “A estratégia é de relacionamento próximo com as pessoas e para começar seria difícil porque se a pessoa perde o emprego, ela perde o benefício. No curto prazo, para exercer essa proximidade, o melhor é atuar no individual”, diz.

A Alice funciona no modelo de atenção primária, com o que está sendo chamado de time de saúde – uma equipe de médicos que acompanha e orienta o paciente em todas as suas necessidades. O atendimento pode ser feito pela internet, ou pessoalmente, na Casa Alice, uma unidade montada pela companhia na zona sul da capital. Quando uma consulta com um especialista é necessária, o paciente é direcionado a uma rede de 25 médicos. “Queremos ter um grupo de alta qualidade, mas com menor quantidade”, diz Florence.

Para o atendimento hospitalar e de exames, foram feitas pacerias com os hospitais Sabará, Pro Matre, Oswaldo Cruz (que inaugurou uma unidade exclusiva para o modelo value based em 2017) e com o grupo Fleury (incluindo os laboratórios Fleury e A+). Segundo Moraes, diretor de operações da Alice, a companhia tem sido bem recebida pelos grupos, que estão em busca de novas formatos de atuação.

A mensalidade da Alice terá valor compatível com o de planos de padrão mais alto, variando de acordo com o perfil de cada indivíduo e do plano escolhido, segundo Florence. Para uma pessoa de 30 anos, por exemplo, o valor pode variar entre R$ 850 e R$ 1 mil. Apesar de boa parte desse público-alvo já ser atendido por um plano corporativo, Florence diz acreditar que a possibilidade de um atendimento mais personalizado pode ser um atrativo para conquistar clientes. Cerca de 120 pessoas próximas à companhia vinham testando o atendimento nos últimos meses. As vendas começam nesta terça-feira.

A startup já levantou US$ 16 milhões dos fundadores e dos fundos Canary, Maya Capital (da filha de Jorge Paulo Lemann, Lara Lemann) e, mais recentemente, do argentino Kaszek. O quadro de funcionários, que atualmente conta com 70 pessoas, com expectativa de chegar a 110 até o fim do ano.

De acordo com Florence, a pandemia adiou o lançamento da operação, previsto inicialmente para meados de maio. Também foram feitos ajustes na experiência dos clientes, como a avaliação inicial do cliente sendo feita totalmente digital, ao invés de presencial.

Fonte: Valor Econômico – 30/06/2020
Por Gustavo Brigatto

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