Hillary quer conter alta do preço de medicamentos.

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, a pré¬candidata a disputar a Presidência dos EUA em 2016 pelo Partido Democrata, propôs ontem um teto mensal de US$ 250 para medicamentos vendidos sob prescrição médica. A medida visa conter o que ela chama de “lucros excessivos” das empresas farmacêuticas. A notícia atingiu as ações dessas empresas.

Em campanha em Iowa, Hillary, que disputa a candidatura presidencial pelo Partido Democrata, expôs um plano para incentivar a produção e o uso de medicamentos genéricos e que põe fim à possibilidade das empresas farmacêuticas de abater do Imposto de Renda, como gasto empresarial, a propaganda voltada ao consumidor.

De acordo com o plano de Hillary, o limite mensal restringiria o valor que as empresas de seguro¬saúde podem pedir que os pacientes paguem por medicamentos para o tratamento de doenças crônicas ou graves.

Chegou a hora de enfrentar a disparada dos custos”, disse Hillary na segunda¬feira, após o jornal “The New York Times” noticiar que a Turing Pharmaceuticals, uma empresa nova de biotecnologia, de pequeno porte, elevou o preço do Daraprim de US$ 13,50 para US$ 750 o comprimido, após adquirir a patente do produto. O medicamento está no mercado há 62 anos e é usado no tratamento de doenças como a toxoplasmose.

A Pharmaceutical Research and Manufacturers of America (PhRMA), principal grupo de lobby da indústria farmacêutica americana, procurou se distanciar da Turing, dizendo em sua conta no Twitter que a empresa “não representa os valores” de suas associadas

Ontem, após a polêmica sobre o tema, a Turing anunciou ter desistido do aumento de preço.

O índice Nasdaq de Biotecnologia caiu 3,1% ontem depois de Hillary divulgar sua intenção de combater o preço alto dos remédios.

O analista de biotecnologia Liav Abraham, do Citi, disse que a retórica de Hillary pode ser “mais intenção do que fato”, uma vez que as reformas exigiriam aprovação de um Congresso dominado pelos republicanos, pouco inclinado a implementá¬las.

Hillary diz que o governo poderia obter bilhões de dólares em arrecadação adicional de impostos se deixasse de autorizar as empresas farmacêuticas a deduzir o que gastam em ações de marketing para divulgar medicamentos entre os consumidores.

As maiores empresas farmacêuticas estão ganhando, coletivamente, de US$ 80 bilhões a US$ 90 bilhões ao ano, a margens maiores do que as de outros setores, enquanto o americano médio enfrenta dificuldade para pagar os remédios de que necessita, disse a campanha de Hillary.

Hillary também está propondo proibir “acordos de pagamento por adiamento”, pelos quais a proprietária de um medicamento de marca paga a um concorrente genérico para manter seu produto fora do mercado por determinado período, normalmente como parte de um acordo para encerrar um contencioso judicial.

Hillary quer que o Medicare, o programa de seguro¬saúde do governo americano para os idosos, consiga negociar os preços dos medicamentos com os laboratórios farmacêuticos e exigir descontos mais generosos.

De acordo com sua proposta, os consumidores poderiam, além disso, comprar medicamentos de outros países, onde os remédios são, muitas vezes, mais baratos, desde que respeitados os padrões mínimos de segurança

As grandes farmacêuticas há muito enfrentam críticas por elevar persistentemente os preços de seus remédios vendidos sob apresentação de receita médica nos Estados Unidos, muitas vezes por meio de saltos de 10% ou mais.

Um estudo que será divulgado nesta semana em congresso em Viena afirma que os americanos estão pagando preços excessivamente altos para novos remédios contra o câncer. Segundo a pesquisa do farmacologista Andrew Hill, da Universidade de Liverpool, algumas drogas chegam a ser vendidas por valores 600 vezes maiores do que seu custo de produção.

Fonte: Valor Econômico – 23/09/2015