Aperto financeiro aumenta.

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Fonte: Correio Braziliense – 17/11/2015
Por Alessandra Azevedo
Para representantes das operadoras, intervenções da não indicam que problemas do segmento sejam generalizados. No entanto, eles reconhecem que as dificuldades das empresas tendem a crescer com agravamento da recessão.
O diretor executivo da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (), Antônio Carlos Abbatepaolo, afirma que não existe uma crise sistêmica no setor de . São 54 companhias sob supervisão presencial da ANS, em um universo de mais de mil, aponta. “Representam 5%. É um percentual aceitável, em um segmento com tanta regulação”, afirma. No entanto, ele reconhece que as empresas têm enfrentado dificuldades crescentes devido à crise econômica.
Para Abbatepaolo, casos de liquidação, como da Unimed Paulistana, são pontuais e não se refletem nas outras operadoras de saúde ou no sistema como um todo, ao contrário do que acontece em outros setores. “No caso de uma crise bancária, por exemplo, sempre há o risco de contaminação, porque as instituições se comunicam. Já no caso do setor de saúde, se uma empresa quebrar, não afeta outras. É um problema pontual”, compara.
No entanto, o diretor não nega os problemas do segmento, em função da recessão da economia . “O setor não cresceu neste ano. Muitas empresas estão demitindo, o que tem impacto no número de beneficiários e cria uma restrição na performance financeira dos planos”, explica.
Além disso, segundo ele, há outras pressões sobre as operadoras. A primeira é a obrigatoriedade de fazerem reservas técnicas elevadas. Por lei, uma porcentagem do dinheiro arrecadado fica depositado na ANS. Esse montante é intocável, reservado para dar suporte em caso de crise. “Fica retido um valor muito alto, o que dificulta uma folga financeira que seria benéfica para as empresas”, considera o diretor-executivo da Abramge.
Outro ponto a ser levado em conta é a pressão sobre os custos médico-hospitalares, que sempre ficam acima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Esses gastos envolvem, por exemplo, novas obrigações e coberturas. “A inflação médica independe do rol de procedimentos cobertos pelos planos, porque as operadoras têm necessidade de suportar novos investimentos e exames. Esse conjunto de fatores configura um quadro de dificuldade para as empresas”, explica Abbatepaolo.
“Pequenas empresas são mais suscetíveis a efeitos de novos custos e aperto na regulação”, lembra. Como as grandes empresas têm mais fôlego financeiro, a maior parte das companhias com dificuldade financeira é formada por operadoras de pequeno e médio porte. “Elas sofrem mais porque há o processo de consolidação do mercado. Eventual fusão de empresas deverá acontecer, isso é natural, e as pequenas sentem mais dificuldade de sobreviver sozinhas no momento de crise”, explica o diretor-executivo. Procuradas, Fenasaúde e Unidas, outras entidades representativas do setor, não se manifestaram.