Aon cria programa de prevenção para baixar custo

Nos últimos quatro anos, os gastos dos planos de saúde com tratamentos oncológicos aumentaram 2,2 vezes. Hoje, essa despesa representa entre 15% e 18% do custo médico das operadoras – o valor de um tratamento pode variar de R$ 50 mil a R$ 800 mil, por pessoa, dependendo do estágio da doença. Na etapa mais avançada (conhecida na área médica como estágio 4), o custo é em média dez vezes maior, de acordo com dados da Aon, consultoria de benefícios que administra uma carteira com 3 milhões de usuários de planos de saúde empresariais.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca), órgão ligado ao Ministério da Saúde, estima que entre este ano e 2019 podem surgir 1,2 milhão de novos casos de câncer no Brasil.

Diante desses números, a Aon criou um programa de prevenção, batizado de Onprev, que consiste no envio de um questionário, cujas respostas dão um indicativo da predisposição ao câncer dos funcionários que receberam as perguntas.

Esse questionário foi formulado por médicos que se basearam em estudos de casos e está focado na detecção dos cinco tipos de câncer mais comuns no Brasil: cólon, mama, pulmão, próstata e útero. “As respostas são enviadas apenas para os funcionários, são sigilosas. Com os dados gerais dos seus colaboradores em mãos, a empresa pode tomar ações, criar programas de prevenção e contratar planos de saúde específicos”, disse Marcelo Munerato, presidente da Aon.

Segundo o executivo, a expectativa é que o programa de prevenção reduza em 5,6% o uso do plano de saúde. “Normalmente, para cada R$ 1 investido em programas de prevenção temos um retorno de R$ 3”, afirmou. Na carteira da consultoria, formada por 3 milhões de pessoas, a prevalência da doença é de dois casos para cada grupo de mil pessoas.

Numa pesquisa realizada pela Aon com empresas de 99 países, 68% delas responderam que o câncer é a doença que gera os maiores custos nos planos de saúde. Na sequência, vêm as doenças cardiovasculares (66%), pressão alta (54%), diabetes (48%) e doenças respiratórias (44%).

Segundo informações da Agência Internacional Para Pesquisa do Câncer (Iarc), a doença provoca 225 mil mortes por ano, sendo 87 mil somente na população economicamente ativa. Esses dados representam, a cada vida, perdas de aproximadamente US$ 53,3 mil por pessoa com gastos de tratamento, que geram despesas anuais de US$ 4,6 bilhões.

Por Beth Koike

Fonte: Valor Econômico – 16/07/2018

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