A saúde dos planos. Editorial da Revista Medicina Social.

Por  Cyro de Britto Filho, Presidente da

No primeiro trimestre de 2015, a rigor, de acordo com os dados elaborados pelo departamento econômico do Sistema Abramge/ Sinamge/Sinog com base em informações da Agência Nacional de Saúde Suplementar.

ANS, houve uma leve retração no mercado de planos médico-hospitalares, com reduçãode 10 mil beneficiários, o que equivale a um recuo de 0,02% do setor – algo inédito para o período desde que a agência reguladora foicriada pela Lei no 9.961/2000.

E mais, pela primeira vez, em um universo de quase mil operadoras de planos de saúde, um número maior de empresas registrou perda de beneficiários em relação à quantidade de operadoras que obteve ganho.

No primeiro trimestre, 47,1% das operadoras tiveram redução no número de beneficiários, enquanto 45,1% tiveram aumento.

A expectativa não é nada positiva. O cenário econômico adverso, associado à elevada taxa de inflação e ao aumento do desemprego, deve influenciar negativamente o mercado de planos de saúde e, se as metas do governo estiverem corretas, somente entre 2017 e 2018 os planos de saúde retomarão seu crescimento.

Atualmente os resultados financeiros das operadoras de planos de saúde são próximos a 2% e, em muitas empresas, chegam a ser negativos. As despesas assistenciais têm crescido frequentemente mais que as receitas, chegando a representar 83,7% e 84,1% do que as operadoras arrecadaram com as mensalidades pagas pelos beneficiários em 2013 e 2014, respectivamente – e esses percentuais não contabilizam gastos administrativos, operacionais, comerciais e com impostos. Os índices de reajustes estipulados pela agência reguladora têm ficado aquém do necessário para a sustentabilidade do setor, pois não levam em consideração a “inflação médica”, que representa o impacto de custos agregados de consultas, procedimentos, internações e exames. O padrão de elevação desses custos é bastante acima da inflação oficial (IPCA); mesmo em países desenvolvidos, esses valores são muito mais elevados do que os custos gerais daquelas economias.

Nesse sentido, o índice de 13,55% autorizado recentemente pela ANS reflete uma reposição parcial dos custos médico-hospitalares apurados pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) de 17,70%, bem como do apresentado pela consultoria internacional Aon de 18,09%.

É importante destacar, porém, que, mesmo com as variáveis do PIB e a taxa de desemprego apontarem para uma eventual queda do número de beneficiários, de acordo com recente pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência a pedido do IESS, os planos de saúde aparecem em terceiro lugar entre os maiores desejos do brasileiro.

No levantamento, 75% dos entrevistados disseram estar “satisfeitos ou muito satisfeitos” com os serviços oferecidos pelas suas operadoras de saúde. A pesquisa aponta ainda que 94% dos brasileiros acham que o plano de saúde é essencial e, para 84% dos entrevistados, o principal motivo é a qualidade do atendimento.

A Abramge reafirma que é necessário um esforço conjunto de toda a cadeia de saúde suplementar (operadoras, fornecedores e beneficiários), no sentido de promover uma redução de custos em prol da prestação de serviços de qualidade e que viabilize a sustentação econômica das empresas e a capacidade de pagamento da população.

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Editorial extraído da Revista Medicina Social, de Jul/ago/set, edição número 230.

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