Vacinação, proteção necessária para todos

País não pode relaxar diante dessa responsabilidade

Ministro da Saúde desde abril; ex-ministro das Cidades e da Integração Nacional (2014-2015/2015-2016, gestão Dilma)
Os governos têm a responsabilidade de proteger a população e, quando se trata de vacinação, o Brasil é reconhecido mundialmente pelo seu PNI (Programa Nacional de Imunizações). Nas últimas quatro décadas, as estratégias de vacinação organizadas pelo Ministério da Saúde, somadas aos esforços de estados e municípios, renderam ao país a eliminação de doenças graves, como o sarampo e a poliomielite, temidas por deixarem sequelas severas em crianças e adultos, além de, em muitos casos, provocarem a morte.

O sucesso histórico de vacinação tem provocado, em parte da população, inclusive pais ou responsáveis por crianças, até mesmo profissionais de saúde, a falsa sensação de segurança e relaxamento diante da responsabilidade de vacinar.

Nisso reside o perigo; é absolutamente falsa essa sensação de que não há mais necessidade de se vacinar. Portanto, o retrocesso nas coberturas vacinais deixa o país inteiro vulnerável a essas doenças.

O Brasil conseguiu mudar o perfil epidemiológico das doenças imunopreviníveis. Diversas ações deram à sociedade brasileira tranquilidade diante da erradicação da febre amarela urbana, da varíola, e ainda, a eliminação da poliomielite, rubéola e o sarampo. O país reduziu, também, a circulação dos agentes causadores de outras doenças consideradas gravíssimas como a difteria, o tétano e a coqueluche.

Recentemente, o surgimento de casos de sarampo em Roraima e no Amazonas acenderam um alerta. Mesmo sendo casos vindos da Venezuela, imediatamente todas as esferas de governo reforçaram os serviços de rotina e ampliaram as ações de controle da doença e prevenção de novos casos nesses estados.

Preocupam alguns baixos índices de cobertura vacinal que temos registrado em alguns estados brasileiros para diversas vacinas. O Ministério da Saúde fez um alerta sobre a vacinação da poliomielite, que apontava 312 municípios com cobertura vacinal abaixo de 50%. A pólio é uma doença já erradicada, e ficar abaixo dessa meta é um risco para todos, já que a doença pode voltar a circular.

O alerta é maior para os índices de crianças como público-alvo. Provavelmente, muitos pais ou responsáveis, por não terem vivenciado os anos de epidemia, desconhecem os riscos. Essas doenças matam ou deixam sequelas como surdez, cegueira, paralisia, além de problemas neurológicos que acompanham as crianças durante toda a vida.

O brasileiro tem hoje a cobertura anual de 19 vacinas muito seguras, oferecidas pelo Sistema Único de Saúde. A estratégia protege o cidadão e também impede a proliferação das doenças por diferentes regiões do Brasil. No calendário de vacinação do Ministério da Saúde, pessoas de todas as idades estão contempladas com vacinas que previnem e controlam as doenças imunoprevíniveis mais prevalentes.

Todos os anos são feitas campanhas para conscientizar a sociedade sobre a importância e necessidade de manter a caderneta de vacinação atualizada.

De 6 a 31 de agosto, o Ministério da Saúde realizará mais uma campanha de vacinação contra a poliomielite e contra o sarampo, destinada a todas as crianças menores de 5 anos. Além de Roraima e Amazonas, há registro de casos de sarampo em Rondônia, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Pará.

O Brasil conta com a confiança e adesão da população, que ao longo dos anos tem respondido às convocações das campanhas, para manter em dia a caderneta de vacinação. Esse é um cenário que não pode ser mudado.

Por Gilberto Occhi

Fonte: Folha de S. Paulo – 24/07/2018

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *