Eficiência em saúde

“Não se pode cair na simplificação de que a solução é decidir entre ter ou não ter”, diz médico

Não é simplesmente um exercício de contenção de limites de despesas, mas envolve qualificação e mobilização dos envolvidos nas decisões. Isso inclui avaliações técnicas sobre distribuição justa. Com expectativa de vida aumentando em quase três meses por ano na última década e com tecnologias que propõem customização de tratamentos para cada tipo de alteração identificada no íntimo da genética da doença, o custo em saúde tem crescimento exponencial.

Essa fórmula tem distorções e problemas que devem ser endereçados prontamente: não há cálculo realista de qual recurso necessitamos e não há critério transparente de prioridade. Inovações e avanços em medicina são bem-vindos, mas, se um remédio consumir uma fatia expressiva do orçamento, a base da pirâmide fica desassistida. Não se pode cair na simplificação de que a solução é decidir entre “ter ou não ter”.

A Bloomberg, portal americano especializado em economia, atribuiu uma nota para eficiência em saúde para 48 países, com base em expectativa de vida e média do custo do serviço de saúde comparado ao PIB per capita de cada país. O Brasil foi o último colocado!

Otimizar eficiência deve sair dos discursos e entrar em uma agenda factível. O tema é complexo e ocupa significante espaço acadêmico em países mais ricos e envolve participação da população. Temos, então, várias pautas que devem ser ampliadas e debatidas de forma séria e corajosa. Podemos começar com precificação de remédios. Se um medicamento, em câncer, por exemplo, custa em média R$ 30 mil mensais e oferece seis meses a mais de sobrevida para um paciente, por que o mesmo remédio em outro tipo de câncer aumenta em dois meses a sobrevida e custa o mesmo preço?

Existe um amplo debate global sobre diferenciar preço e valor. Esperamos que nossas lideranças e governantes tenham isso em mente e, da mesma forma que estamos festejando avanços médicos, possamos festejar que esses avanços sejam para que todos vivam mais e melhor.

Por Stephen Doral Stefani

Fonte: Zero Hora – 04/05/2018

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