Cuidados desde cedo

Fonte: Revista Visão Saúde – 07/02/2018

Programas preventivos de planos de saúde ajudam a evitar o desenvolvimento da obesidade em crianças e adolescentes

Nas últimas décadas, o panorama alimentar mundial mudou. Cada vez mais, alimentos saudáveis, como verduras e frutas, perdem espaço para produtos processados com alto índice de açúcares, sódio e gorduras.

 

No Brasil, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde 2013, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), biscoitos, bolachas ou bolos fazem parte da alimentação de 60,8% das crianças com menos de 2 anos de idade, enquanto refrigerante ou suco artificial são consumidos por 32,3% dessa faixa etária.

 

Isso, aliado aos novos hábitos das crianças, que se exercitam menos devido ao entretenimento dentro de casa, como os videogames, criou o que a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou como epidemia global: o aumento da obesidade infantil.

 

Segundo a OMS, ao redor do mundo, cerca de 41 milhões de crianças com idade de até 5 anos estão obesas. Nos países de renda média, o número de crianças com sobrepeso mais que dobrou desde 1990, passando de 7,5 milhões para 15,5 milhões. No Brasil, segundo o IBGE, uma em cada três crianças de 5 a 9 anos está acima do peso. E em 2030, de acordo com projeções da OMS, o país terá 11,3 milhões de crianças com sobrepeso.

 

“Além de se alimentar mal, muitas crianças brasileiras também comem em excesso”, diz o médico endocrinologista pediátrico Marcelo Ruiz, do Hospital Pró-Infância, de São José dos Campos, no interior do estado de São Paulo. “O cérebro humano induz as pessoas a estocarem energia, como instinto de sobrevivência, levando-as a comerem mais do que precisam, mesmo que sejam comidas saudáveis.

 

Somado ao menor gasto energético das crianças de hoje, isso leva muitas a ficarem com sobrepeso, o que é cada vez mais corriqueiro.” O excesso de peso na infância, além de poder causar dificuldades no dia a dia das crianças, pode levar a outras complicações de saúde, como distúrbios mentais, diabetes, hipertensão e até mesmo câncer. A obesidade infantil também é difícil de ser revertida: segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, quatro em cada cinco crianças obesas permanecerão com esse problema na fase adulta.

 

Foco na prevenção

 

 

 

A gravidade desse cenário fez com que o Ministério da Saúde incluísse neste ano, no Plano Nacional de Saúde, três metas referentes ao tema. Até 2019, o governo pretende deter o crescimento da obesidade; reduzir em 30% o consumo de refrigerantes e sucos artificiais; e aumentar em 17,8% o consumo de frutas e hortaliças.

 

Já a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) formou, em agosto de 2017, um grupo de trabalho com o objetivo de estabelecer diretrizes e protocolos para facilitar o rastreio e a abordagem dos pacientes com obesidade nos serviços de saúde. Entre as propostas em estudo, está a recomendação de que o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) seja realizado em todos os pacientes que procuram assistência médica ambulatorial e hospitalar.

 

Segundo o grupo, conhecer o IMC dos beneficiários permitiria às operadoras de planos de saúde desenhar estratégias de prevenção e tratamento precoce dos pacientes com risco de desenvolver a obesidade infantil. Essa medida está alinhada ao preconizado pela comunidade científica: nos EUA, por exemplo, o Center for Disease Control and Prevention (CDC) e o American Academy of Pediatrics (AAP) recomendam o uso do IMC para identificar o sobrepeso em crianças a partir dos 2 anos de idade. O cálculo do IMC já é feito em todas as consultas pediátricas no Hospital Pró-Infância, do Grupo São José Saúde, operadora de medicina de grupo associada à Abramge. Uma vez que é identificado o sobrepeso de uma criança, ela passa a ser acompanhada de perto, com consultas a cada dois meses.

 

“É muito importante envolver a família inteira no tratamento da criança”, diz o pediatra Ruiz. “É necessário higienizar a casa, sugerindo mudanças para melhorar o ambiente e eliminar bolachas e fast food da rotina alimentar”.

 

A operadora Amil. por sua vez, desenvolve desde 2009 um programa específico de combate à obesidade infantil. Voltado para pacientes de até 14 anos indicados por médicos de família, pediatras ou endocrinologistas da sua rede credenciada, em 2016 a iniciativa envolveu 5.622 atendimentos.

 

Além de consultas individuais de cada família, incluindo nutricionistas, são oferecidos encontros em grupo com orientações sobre hábitos saudáveis e melhora da autoestima.

 

Desde 2014, a Amil também realiza o movimento “Obesidade Infantil Não”, que veicula alertas e orientações sobre esse problema de saúde em redes sociais – o grupo da campanha no Facebook tinha, em novembro de 2017, mais de 110 mil membros. Neste ano, o destaque do movimento foi a parceria firmada com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para promoção da saúde e da alimentação saudável. A parceria tem como objetivo contribuir para a redução da desnutrição e da obesidade entre crianças e adolescentes da Amazônia, do semiárido e de grandes centros urbanos.

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