Avaliação na medicina

É preciso haver um exame obrigatório para exercer a profissão

O reconhecimento e a credibilidade do exame do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), designado para avaliar o desempenho dos médicos recém-formados, ganham força a cada ano. Prova disso é o recorde de inscrições que avaliação obteve em 2018, com a adesão de 4.676 pessoas, número que representa 30% a mais em relação ao ano passado.

Destinado aos egressos do sexto ano ou do 12º período de medicina das escolas de todo o país, o exame do Cremesp 2018 será aplicado no dia 19 de agosto.

Um dos principais motivos desse aumento é a exigência, que se intensifica a cada ano, da realização da prova como critério para acesso a importantes programas de residência médica e concursos públicos no estado, despertando o interesse, inclusive, dos recém-formados oriundos de cursos de medicina de outros estados.

Aplicado gratuitamente no estado de São Paulo há 13 anos, o exame do Cremesp é facultativo e foi implantado com o objetivo de avaliar a qualidade da formação nos cursos de medicina. Na sua última edição, em 2017, mais da metade dos participantes (64,6%) foi aprovada na avaliação, representando o melhor resultado nos últimos dez anos e 21% superior ao de 2016.

As escolas participantes recebem um relatório de desempenho de seus alunos por área de conhecimento —preservando-se a identidade— para que possam ter subsídios para corrigir falhas e aprimorar os cursos avaliados.

O crescimento da aprovação no exame do Cremesp revela que os recém-formados estão se preparando melhor e dando maior importância à prova. Ainda assim, notamos nos resultados que muitos dos recém-formados têm problemas em responder a questões simples, como perguntas de interpretação de exames de diagnóstico e de administração de conduta terapêutica.

É importante lembrar que em todas as edições da avaliação os médicos de instituições públicas tiveram maior, e significativo, percentual de aprovação em relação aos cursos privados. Em contrapartida, o número de participantes de cursos particulares é sempre maior em todas as edições. Esses dados demonstram que um dos fatores que colocam em xeque a qualidade da formação é o alto número de cursos privados de medicina, sendo que alguns deles não preenchem os critérios mínimos para formação.

O Brasil é o segundo país com mais escolas médicas no mundo, com 317 cursos, ultrapassando a China e Estados Unidos, países mais populosos que o nosso.

Devido a esse aumento de cursos no Brasil, o total de médicos cresceu 665,8% em pouco menos de cinco décadas; entretanto boa parte das escolas não dispõe de estrutura consistente nem mesmo de hospital-escola próprio para garantir o ensino adequado aos profissionais, colocando a saúde da população em risco.

Para prevenir a má formação e dar um grande passo pela boa medicina, estamos empenhados e unindo forças pela aprovação do projeto de lei nº165/2017, em tramitação no Senado, que torna obrigatório no Brasil um exame de proficiência em medicina.

Com a campanha para difundir o abaixo-assinado a favor da avaliação (www.exameobrigatorio.com.br), o Cremesp já conseguiu angariar 35 mil assinaturas. Defendemos que o exame seja aplicado para recém-formados e também durante o curso, no fim do ciclo básico, como instrumento para testar a qualidade do ensino e apontar as áreas que precisam ser aprimoradas. As assinaturas da petição serão encaminhadas ao Congresso Nacional para mobilizar as autoridades a aprovarem a lei.

Na incessante luta por melhorias na formação médica e trabalhando pela garantia do exercício ético da medicina, o Cremesp também mantém cobranças ao poder público por condições dignas na saúde, pela valorização profissional dos médicos e por mais investimentos, visando, sempre, a qualidade do atendimento à população.

Por Lavínio Nilton Camarim

*Lavínio Nilton Camarim – Cirurgião do aparelho digestivo e presidente do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo)

Fonte: Folha de S. Paulo – 18/07/2018

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