Manter plano de saúde é desafio para quem fica desempregado.

Por Toni Sciarretta
Quem perder o emprego ou aderir a um plano de demissão voluntária nos próximos meses vai se deparar com um custo elevado para bancar o plano ou seguro-saúde pessoal e da família. E isso se encontrar uma operadora disposta a aceitá-lo em um plano individual.

Um seguro ou plano de saúde empresarial, de abrangência nacional, com valor de cerca de R$ 350 por funcionário para a companhia, vai custar perto de R$ 1.500 para um beneficiário na faixa etária entre 44 e 48 anos que se aventure em uma negociação fora da empresa, segundo corretores.

São planos padrões para funcionários do escalão médio (gerentes, supervisores etc.) de empresas de grande porte, aceitos em São Paulo pela maioria dos hospitais e laboratórios (com exceção dos hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e do laboratório Fleury), e com reembolso de cerca de R$ 150 por consulta a médicos.

Com o aumento de desemprego neste ano, 187,5 mil pessoas deixaram os planos empresariais no país até setembro, segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde).

Hoje, nenhuma das grandes seguradoras comercializa planos individuais, que são aqueles com reajuste tabelado pela ANS e que impedem a exclusão unilateral do consumidor. Pouquíssimas empresas de saúde trabalham com a modalidade em escala nacional.

Entre as 1.415 empresas listadas pela ANS, só 516 informavam operar planos individuais em junho. Segundo pesquisa do Idec, no entanto, dessas, apenas metade comercializa, de fato, novos planos individuais.

Entre aquelas que trabalham no segmento individual, a maioria são empresas de foco regional, com poucos hospitais, laboratórios e profissionais credenciados. Geralmente, não têm reembolso para serviços feitos fora da rede própria.

Desde 2006, quando a ANS apertou a regulação dos planos individuais, a maioria das seguradoras decidiu sair desse mercado, sob o argumento de inviabilidade econômica. Passaram a trabalhar apenas com planos empresariais, em que o reajuste é negociado livremente entre as partes (empresa e seguradora) e o contrato pode ser rescindido; nos individuais, a seguradora ou gestora de plano não pode excluir o beneficiário unilateralmente.

Quem desistir do caminho individual pode entrar em um plano ou seguro-saúde via convênio de sindicatos ou de associações com uma seguradora ou empresa de saúde. São os chamados planos coletivos por adesão, em que o reajuste também é negociado livremente e pode ocorrer rescisão do contrato. A maioria dos sindicatos tem esses convênios, mas o consumidor tem de se sindicalizar.

EMPRESA DE FACHADA
Outra opção é abrir uma pequena empresa, geralmente com mais um ou dois sócios, apenas para obter um CNPJ e ter o direito de contratar um plano empresarial. Esses planos são conhecidos como “Pjotinha”.

“Os planos por adesão e para pequenas empresas reúnem o pior dos planos coletivos -o reajuste livre e a exclusão do beneficiário- e dos individuais, que são preço maior, carência e rede menor”, diz Joana Cruz, advogada do Idec.

“O consumidor não
tem opção; é levado a abrir empresa de fachada e a aderir a uma associação se não quiser ficar apenas no SUS”, afirma Rosana Chiavassa, advogada especialista em planos de saúde.

ENFERMARIA
Para Mauro Halfeld, especialista em finanças pessoais da UFPR, uma forma de reduzir os custos com a saúde é optar por um plano com enfermaria, o que costuma reduzir os valores das mensalidades em até 30%. “No caso de uma hospitalização, não é difícil negociar com o hospital um upgrade para um apartamento. Economiza um bom dinheiro e tem a cobertura no que realmente é importante: internações em UTI, cirurgias e exames mais sofisticados.”

Outra forma de pagar menos é contratar planos de rede de profissionais médicos, como a Nipomed e da associação da Associação Paranaense de Medicina. O associado paga diretamente ao profissional, clínica ou hospital, mas seguindo uma tabela de preços mais econômica do que a para pacientes particulares.

“Esses planos apenas negociam descontos com os profissionais médicos. Não exigem carência nem relatórios sobre doenças preexistentes. O importante é tentar uma proteção além do SUS”, afirma Halfeld.

Fonte: Folha de S. Paulo – 02/11/2015

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